08 de julho de 2026
Política

Assenag quer doar projeto da estação

Monise Centurion
| Tempo de leitura: 3 min

Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag) está à disposição do Executivo e Legislativo bauruense para fazer, gratuitamente, o projeto de arquitetura e restauração da antiga estação ferroviária, localizada na praça Machado de Mello, na área central da cidade. O imóvel será comprado pelos dois poderes, ainda este ano, por até R$ 6,3 milhões, com pagamento parcelado.

A idéia da associação doar um projeto surgiu durante discussões sobre a construção de um novo prédio para a Câmara Municipal de Bauru, quando a Assenag foi convidada para dar parecer técnico a respeito da possibilidade de aumentar a atual Casa de Leis, situada na praça Dom Pedro. Na época, o relatório informou que havia problemas de estacionamento no local, de acessibilidade e muitas construções no entorno do imóvel.

A medida permitirá ao Legislativo reduzir a despesa com nova sede, sem necessidade de consumir R$ 5 milhões do Orçamento para comprar ou construir um imóvel. É que R$ 3,4 milhões do Orçamento serão devolvidos à prefeitura para ajudar na compra da estação. O restante (R$ 1,6 milhões) será aplicado em melhorias no espaço do Legislativo.

“Já tínhamos oferecido o projeto tanto para a construção de um prédio novo tanto para a opção se o prédio fosse para a estação ferroviária. A gente havia oferecido o projeto de reforma, instalação do plenário, toda a estruturação da Câmara”, afirma o presidente da entidade, Émerson Crivelli. Segundo ele, a instalação da prefeitura não era ventilada na época. “Mas a gente também pode cuidar disso, não tem problema nenhum. É que quem ia fazer isso era a Câmara Municipal e agora a prefeitura está envolvida. Então a gente também está à disposição do Executivo.”

Com a doação, a prefeitura terá de contratar projetos complementares de acompanhamento estrutural da obra, instalações hidráulicas, hidro-sanitárias, que têm de ser revistas, assim como as instalações elétricas, o cabiamento do sistema de informática e antenas. “Seriam projetos complementares desenvolvidos após a realização do projeto arquitetônico, doado pela Assenag. A prefeitura falou em contratar o projeto pelo jornal. Com a doação, ela precisaria contratar apenas os serviços complementares”, diz.

Caso o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) aceite a proposta, a Assenag terá também em sua equipe pessoas especializadas na área de restauração que, segundo o presidente da entidade, já se dispuseram a fazer parte do grupo de trabalho. Crivelli tem a vantagem de conhecer muito bem o local. O projeto anterior, encomendado pela Caixa Econômica Federal (CEF), foi feito por ele e um professor de São Paulo, que será convidado para integrar a equipe.

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Prédio tem 12,4 mil m2 de construção

A estação ferroviária começou a funcionar em 1939 para abrigar os antigos escritórios da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), Estrada de Ferro Sorocabana e Companhia Paulista Estrada de Ferro, além de todos os embarques e desembarques das três ferrovias.

A área construída, que engloba um prédio pomposo situado na área central de Bauru com três pavimentos (térreo e dois andares), galpão Gare (área do arco) e as plataformas, totaliza 12.411,01 metros quadrados. A área toda do terreno é de 13.093,67 metros quadrados. O prédio ainda tem um terceiro andar, conhecido como pombal, que era usado para guardar documentos das ferrovias. Só em estacionamento, a estação apresenta 604, 26 metros quadrados em espaço.

Sala é o que não falta. De acordo com dados fornecidos por José Carlos da Silva, coordenador administrativo do Sindicato dos Ferroviários, tanto o térreo, com 2.298,35 metros quadrados, quanto os dois pavimentos, ambos com 1.996,89 metros quadrados, são repletos de repartições e escritórios por todos os lados, corredores largos e banheiros. Além disso, no segundo andar, há uma área livre de, aproximadamente, 30 metros de comprimento, que poderia receber o novo plenário do Legislativo de Bauru.

Enquanto houve trens de passageiros naquele que era chamado de maior entroncamento ferroviário do Brasil, a estação teve enorme movimento. Porém, o sucateamento do sistema ferroviário culminou na sua desativação.

A estação foi tombada, oficialmente, em novembro de 2000. A área de preservação inclui as fachadas externas do bloco principal da estação paralelo à linha férrea.