A casa é o espelho da vida de uma pessoa. Se o momento é bom, a tendência é o interior da casa estar em ordem. Por outro lado, se a vida anda meio conturbada, é bem provável que a casa também estará uma bagunça. Via de regra, esse reflexo é notado, inclusive, no ambiente de trabalho. Mesas carregadas de papéis, livros, agenda, calendários, revistas, lembrancinhas, porta-retratos, cartões de visitas, etc. Tudo amontoado em um canto ou por toda a mesa.
Para o psicólogo Josué Edinil de Farias, o que as pessoas costumam chamar de “bagunça organizada” nada mais é do que um reflexo do momento. Quando alguém está desorganizado interiormente, manifesta isto exteriormente. Na avaliação dele, a casa e o ambiente de trabalho (lugares onde as pessoas passam a maior parte do tempo) são espelhos que refletem o estado emocional do indivíduo.
Como o ser humano, ultimamente, anda com a vida emocional abalada e sem tempo para nada, o psicólogo enxergou na falta de organização das pessoas a possibilidade de um grande negócio.
Junto com uma tia que veio de São Paulo, abriu uma empresa que, entre outros serviços, promete deixar a casa dos clientes em ordem. Eles recolocam tudo no seu devido lugar. É o chamado personal organizer.
“Vimos que existe uma demanda muito grande em Bauru. As pessoas passam a semana toda trabalhando e quando chega o final de semana querem descansar. Muitos não têm disposição para limpar e arrumar a casa”, comenta. Segundo Farias, em alguns casos, a desorganização provoca desgaste no relacionamento dentro da própria família. Ele cita episódios em que filhos brigam com a mãe pelo fato da casa estar sempre desarrumada, o que os impedem de levar amigos e namoradas ou namorados para lá. Eles dizem que sentem vergonha de receber visitas com a casa toda bagunçada.
“Muitas vezes, a casa não está suja, apenas as coisas estão fora do lugar”, diz o psicólogo e empresário.
Segundo ele, quando a casa está limpa, a família tem prazer em abrir as portas para as visitas. Isso mostra o quanto, na opinião dele, a organização ajuda a melhorar a auto-estima das pessoas.
De acordo com Farias, organizar leva tempo. Por isso, o ideal é se esforçar para manter as coisas no lugar certo. Se retirou, devolva quando terminar de usar. Se sujou, limpe e guarde. Agindo assim, a pessoa evita que a bagunça vá se acumulando, chegando ao limite do insuportável.