08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Que saudade do "Ernestão"


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Sou ex-aluno do Ernesto Monte ou o “Ernestão”, como era chamado entre a moçada da época, e fico muito contente em saber dos 75 anos de vida desta escola da qual tenho lindas recordações. Estudei lá do pré até a oitava série, visto que foram os idos do início dos anos 80 até o fim dos anos 90, ou seja, minha infância e adolescência foram vividas lá. Morava a 1 quarteirão do Ernestão, ia a pé e o único perigo naquela época seria alguma briguinha de rua com algum que, às vezes, “invocava” com a gente.

Porém, era resolvida no punho, nada de facas ou armas. Outro fator de risco era somente atravessar a rua. Lembro-me com saudade do severo professor Canova, que possuía sua própria sala de aula, exclusiva, parecia um laboratório, com muitos frascos de fórmulas, réplica de um esqueleto, uma imponente mesa e tal... Me lembro também dos gritos da professora Míriam e os socos que ela dava na mesa, que ecoavam pelos extensos corredores do segundo andar, porém os mais severos professores que, em minha opinião, foram os que eu citei foram os mais inesquecíveis, ou seja, impunham respeito e eram consequentemente respeitados.

Ela, a professora Míriam, tenho o prazer de hoje tê-la como cliente de minha loja e às vezes comentamos sobre as coisas que lá acontecia. Hoje a única forma de recordação que tenho e que por sinal parece que se passa um filme antigo em minha mente é um misto de alegria por conta das recordações e tristeza pelo estado em que se encontrava o prédio. É quando vou até lá para votar, é maravilhoso entrar por aquela porta principal em que tanto circulei, lembro-me dos teatros que participei, do primeiro beijo, das visitas às salas da diretora por conta de bagunça, da polenta com molho da merenda, do bar do seu Zico, das aulas de educação física (futebol para os meninos e volei para as meninas), das inocentes brincadeiras, dos bilhetinhos para tentar conquistar aquela linda menina... Creio que sou parte de um final de geração de um bom estudo e exemplo de escola, que apesar das dificuldades por ser pública mantinha ou tentava manter sua tradição.

Fico feliz por este imponente prédio que toma conta de um quarteirão nos Altos da Cidade esteja sendo reformado. Parabéns à diretora Heloíse, que muito me deu pitos, por sua dedicação, e a todos que lá estão. Continuem mantendo esta que foi escola de muitos grandes deste país e alguns anônimos como eu, mas que dentro de meu coração guarda um ensino, recordações lindas e educação que ninguém me pode tirar, pois está preso em minha alma. Graças a Deus tive a sorte e hoje orgulho de por lá ter vivido, muito obrigado “Ernestão”, pois aí aprendi a ser alguém.

Com carinho do ex-aluno Juliano Augusto Pinto