Srs. leitores, me perdoem o desabafo, mas narro os dias de minha angústia, na esperança de que, com esta singela carta, algumas coisas possam ser mudadas! No último dia 20 de setembro, meu filho de 15 anos levantou-se com uma pequena gripe e reclamou de muita fadiga. Saliento que o mesmo não tinha febre alta, mas mesmo assim resolvi levá-lo ao pronto atendimento da Unimed.
Ao ser examinado pelo médico de plantão, o mesmo me garantiu de que se tratava de uma inflamação de garganta e nada mais. Diante de tal diagnóstico agendei, no mesmo dia, por pura intervenção Divina, uma consulta em sua médica, digo intervenção Divina pois muito embora tenhamos plano de saúde, dificilmente temos acesso aos nossos médicos no mesmo dia, mes-mo em se tratando de casos urgentes!... Se você paga por um plano de saúde, sabe muito bem do que estou falando.
A dra. Adriana Antunes, médica do meu filho, ao examiná-lo garantiu-me que ele estava com “a gripe suína” e solicitou com urgência um exame particular para confirmar seu diagnóstico, não acobertado pelo plano de saúde, é lógico! Graças a Deus, por ter condições financeiras, realizei o exame e dentro de 15 minutos estava com o diagnóstico confirmado.
Retornei ao consultório médico, para pegar o receituário do Tamiflu, e fui encaminhada ao posto de atendimento que fica dentro do Pronto- Socorro Central. Para minha surpresa, me deparei com o setor de entrega do medicamento fechado e, pasmem senhores leitores, eram apenas 19h30 e o setor que fornece remédio a uma pandemia, diga-se de passagem, de extensão mundial, simplesmente estava fechado.
Fui informada de que somente em casos urgentes e de grupos de riscos a Vigilância Sanitária é acionada e fornece o remédio fora do horário de atendimento do setor. Indago a vocês, quais os casos urgentes? Grupo de risco? Puxa vida! Estava com o exame confirmado em minhas mãos, o setor fica encostado ao PS, que funciona 24 horas por dia, não seria mais humanitário e preventivo se a enfermeira chefe possuísse a chave e fornecesse esse medicamento fora do horário de atendimento? O quanto antes o paciente toma o medicamento maiores são as chances de sua recuperação, isso sem se falar no contagio a terceiros...
Somente tive acesso ao medicamento no dia seguinte, mas lamento muito esse procedimento de País subdesenvolvido, não é à toa que o Brasil figura como um dos primeiros em causa morte da gripe suína. O meu filho está bem, graças a Deus!
Espero que esse “Alerta” venha contribuir com mais eficiência aos órgãos de saúde responsáveis, pois está em jogo, diante do quadro preocupante, a vida humana.
Adriana Rufino da Silva, procuradora municipal