09 de julho de 2026
Geral

Radioterapia em Bauru vai ser retomada este mês, garante HE

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Quebrado há quase quatro meses, o aparelho para tratamento de câncer por radiação do Hospital Manoel de Abreu deve ser reativado ainda este mês. Pelo menos é o que garante a assessoria de comunicação do Hospital Estadual (HE) Bauru, que gerencia a unidade de saúde. Consultada pelo JC após a publicação de cartas de leitores doentes que dependem do equipamento para se curar, a assessoria do hospital informou que a radioterapia em Bauru será retomada até a segunda quinzena de outubro.

O equipamento apresentou problema técnico no dia 10 de junho, quando foi detectado que a ampola de cobalto, responsável por emitir a radiação necessária para o combate ao câncer, estava com atividade muito baixa e precisaria ser trocada. Por empregar material tóxico, a Vigilância Sanitária determinou a desativação temporária do aparelho para garantir a segurança dos pacientes e funcionários.

Como os equipamentos de radioterapia são importados dos Estados Unidos e o mesmo ocorre com suas peças, a reposição da ampola de cobalto teve e ainda tem de obedecer um trâmite burocrático para chegar até a cidade. No entanto, conforme adiantou a assessoria de imprensa do HE, o componente já chegou ao Brasil e aguarda liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas.

Para seguir destino a Bauru, também será necessário destacar viaturas de escolta e a autorização do Ministério do Trabalho para que técnicos da empresa norte-americana possam entrar no País para efetuar a instalação da nova peça e a retirada da antiga. Enquanto a burocracia não é cumprida, todos os dias 33 pacientes de Bauru deixam a cidade e viajam 47 quilômetros para realizar as sessões de radioterapia em Jaú, no Hospital Amaral Carvalho (HAC), para garantir a continuidade do tratamento.

Viagem desgastante

A distância não seria o problema se a viagem fosse a passeio, porém, se torna extremamente desgastante para quem está com a resistência física e imunológica debilitada pela doença e é obrigado a acordar de madrugada para embarcar na van disponibilizada pela Secretaria da Saúde de Bauru. O horário de atendimento, inclusive, é uma das preocupações da tecnóloga em administração de empresas Ellen Martins Catini, que iniciará as sessões de radioterapia no próximo mês.

Caso a ampola de cobalto não seja trocada dentro do prazo esperado, ela também precisará recorrer ao tratamento no HAC. “O horário de atendimento para quem tem convênio, como eu, só começa às 13h. E, se eu for com a van, vou chegar lá às 7h da manhã. E como Bauru e região está toda indo para Jaú, o hospital de lá está sobrecarregado e o atendimento, mais demorado que o habitual”, frisa.

Desesperada com a possibilidade de perder o dia todo para conseguir fazer o tratamento, Ellen enviou uma carta à Tribuna do Leitor na última semana, assim como a tecnóloga em comércio exterior Andréia Porfirio, com quem a reportagem não conseguiu falar. Ela, assim como Ellen, tenta se livrar da possibilidade de reincidência de um câncer de mama.

Em sua carta, Andréia se mostrou indignada com o fato de um município do porte de Bauru, com mais de 350 mil habitantes, possuir apenas um equipamento de radioterapia. “O câncer é uma doença que deixou de ser rara e passou a ser comum devido ao estresse dos dias atuais, da alimentação cheia de agrotóxicos e conservantes, da poluição e contaminação. Precisamos, urgente, de um segundo aparelho na cidade”, frisa.