Tegucigalpa - O governo golpista de Honduras apresentará hoje, no início das negociações com chanceleres da OEA (Organização dos Estados Americanos) para dar fim à crise política, uma proposta em que oferece ao presidente deposto Manuel Zelaya um retorno ao cargo no dia 2 de dezembro - três dias após as eleições presidenciais para eleger o seu sucessor.
A proposta é aceita pelas alas mais radicais de apoio a Roberto Micheletti - que antes não aceitavam a volta de Zelaya - e recebeu o aval, segundo fontes do governo, da Igreja Católica, de empresários e políticos.
A oferta do governo golpista, que inclui um pacote de outras medidas como a definição de um gabinete predefinido para Zelaya, demonstra que o grupo de Micheletti reconhece a necessidade de uma saída negociada para a crise e aceita a volta do líder deposto ao poder.
Conselheiros políticos de Micheletti não acreditam que as negociações se encerrem nesta semana, na presença de chanceleres da OEA. Eles estimam em pelo menos mais duas semanas para a costura de uma acordo - e defendem a permanência de Zelaya na embaixada brasileira até dezembro.
A presença da OEA no país, entretanto, não é considerada vã. Ela serviria para definir quem serão os negociadores de cada lado e criar comissões que iriam detalhar as bases de um acordo amplo.
Zelaya teme propostas
O presidente deposto, Manuel Zelaya, pediu ontem que a missão de chanceleres de países-membros da OEA (Organização dos Estados Americanos) que chega a Tegucigalpa hoje não caia nas “manobras” do presidente interino, Roberto Micheletti, para postergar a crise política no país.
Uma dessas “manobras”, segundo Zelaya, foi a revogação, anteontem, do decreto que suspendia as garantias constitucionais, após causar “o maior dano possível”, disse Zelaya, em comunicado. “Nós advertimos aos chanceleres que nas próximas horas chegarão a nosso país que estejam alertas para não cair nestas manobras, colocando em xeque a alta dignidade dos povos que representam”, disse.
O comunicado acrescenta que “Roberto Micheletti continua enganando o povo hondurenho ao manifestar que está revogando plenamente o decreto, após conseguir o maior dano possível”.