Como surgem as idéias que mudam a vida das pessoas? Mais que isso: como surgem as idéias que se transformam em grandes negócios e mudam a vida de um bairro, de uma cidade? Elas ocorrem por acaso ou é a somatória de uma série de acontecimentos que levam a uma mesma direção? Segundo especialistas, as boas idéias surgem da observação. Para que dêem certo, é preciso cercá-las de um planejamento bem feito. Antes de colocá-las em prática é importante observar quantas pessoas seriam beneficiadas por elas e se estariam dispostas a aceitá-las.
Para o analista do Sebrae Mário Sérgio Cappelozza, 39 anos, uma boa idéia não sobrevive sem um bom planejamento. Segundo ele, nem toda idéia, aparentemente boa, vinga quando colocada em prática. Cappelozza cita o exemplo da 3M, uma das empresas mais inovadoras do Brasil. De acordo com ele, de cada 100 propostas que surgem nesse ambiente organizacional, apenas uma efetivamente é colocada em prática.
“O cenário nacional está altamente competitivo. Se não tiver planejamento, uma boa idéia não se sustenta no mercado”, afirma Cappelozza. Por isso, segundo ele, é importante conhecer a região onde vai se iniciar um empreendimento para saber sobre os concorrentes, se o acesso dos clientes é fácil, se há estacionamento, se as pessoas estariam dispostas a pagar pelo produto ou serviço e outros detalhes que fazem toda a diferença para a aceitação de um novo negócio.
De acordo com o analista Newton Rosseto, 46 anos, um dos grandes desafios do Sebrae é fazer com que os empresários entendam a importância de um bom planejamento antes de iniciar qualquer negócio novo.
“Hoje, as idéias têm de ser inovadoras. O bom empresário é aquele que está sempre inovando, procurando coisas novas e diferentes para oferecer aos seus clientes”, define Rosseto. Segundo ele, todo negócio é um ser vivo, ou seja, está em constante transformação. “Ficar atento às tendências é uma forma de estar sempre criando bons negócios e manter a empresa em alta”, diz.
Outra recomendação é observar os concorrentes e procurar explorar os pontos fracos deles e ganhar os clientes com isso. Analisar atentamente o valor necessário para o investimento, fazer projeções de faturamento e de despesas, além do cálculo dos lucros, são procedimentos indispensáveis para o sucesso de um negócio, mas pouco praticado pelos empresários em início de carreira.
Para os analistas do Sebrae, isso explica, em parte, o alto índice de mortalidade das novas empresas. Cerca de 56% delas fecham as portas antes de completar o quinto ano de atividade. As principais causas para o fechamento, apontadas pelo Sebrae, são o comportamento empreendedor pouco desenvolvido, falta de planejamento prévio, gestão deficiente do negócio, insuficiência de políticas de apoio, conjuntura econômica deprimida e problemas pessoais dos proprietários.
Nesta e nas próximas páginas, o Jornal da Cidade relata a trajetória de dez empresas atuantes em Bauru que alcançaram o sucesso depois de serem concebidas graças ao senso de oportunidade de seus idealizadores. À reportagem, eles contam como surgiu a idéia de abrir o negócio.
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Materiais elétricos
De uma conversa descontraída entre amigos surgiu, em 1987, a idéia de montar uma empresa que tinha tudo para dar certo. Afinal de contas, com crise ou sem crise, o fornecimento de energia elétrica não pode parar. Esse raciocínio levou à criação da Indel Bauru – empresa voltada para a produção de materiais para companhias de energia elétrica, como chave fusível, cordoalha e elo fusível.
A cordoalha é direcionada ao mercado elétrico e automotivo. É empregada em diversos equipamentos elétricos de baixa, média e alta tensão, como também em peças automotivas. A chave fusível e o elo fusível são direcionados ao mercado de distribuição de energia elétrica.
O proprietário da empresa, Antônio Fortunato Brustello, 59 anos, conta que a conclusão da conversa entre amigos em 1987 foi uma só: seja para rep or os materiais danificados ou para expandir uma rede, as companhias de energia sempre vão precisar de produtos novos. Segundo ele, esse é um mercado que nunca vai se retrair.
Além disso, a produção de material elétrico segue normas internacionais, o que significa que os produtos feitos no Brasil, mais especificamente na Indel, podem ser exportados.
De acordo com Brustello, cerca de 25% de todo o material produzido pela empresa é exportado. Os principais compradores são os países da América do Sul, da América do Norte e da Ásia. Nos últimos seis anos, a exportação tem crescido cerca de 30% todo ano.
O elo fusível produzido pela Indel é fornecido para 75% do mercado brasileiro e os principais clientes são companhias de distribuição de energia elétrica.
Em maio de 2007, a empresa realizou testes e teve seus produtos aprovados em um dos mais respeitados laboratórios do mundo, o Powertech Labs, localizado no Canadá. Com esta aprovação, a empresa iniciará o desenvolvimento de novos negócios no mercado norte-americano, considerado o maior consumidor dos produtos fabricados pela Indel Bauru.
Contato pelo telefone: (14) 3281-7070. Site: www.indel bauru.com.br.
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Inovação
A inovação é um dos principais fatores de desenvolvimento das empresas, segundo o consultor de empresas Adriano Fabri. Segundo ele, no ano passado, as empresas de pequeno e médio portes que mais cresceram no Brasil foram as que investiram ou incentivaram a criatividade e a inovação.
“No mundo altamente competitivo não há espaço para o comum. O diferencial, que já foi um fator de crescimento para as empresas, tornou-se um fator de sobrevivência”, afirma ele.
Na opinião do consultor, outros fatores decisivos para o sucesso de um negócio são a competência técnica, capacidade de gestão e comportamento empreendedor. Por competência técnica entende-se saber dominar muito bem o que se propõe a fazer. “Não basta ser mais um. É necessário ser muito bom naquilo que faz. Satisfazer e surpreender são evidências dessa competência técnica”, explica Fabri.
Ter capacidade administrativa é saber controlar custos e despesas e saber fazer propaganda do negócio. Além disso, é preciso saber estabelecer uma política de preço que contemple, além dos custos, a percepção dos clientes e a concorrência. “Descuidos nas áreas de finanças e marketing são as principais causas de falência das empresas”, alega.
O comportamento empreendedor é o conjunto de características que diferenciam o empresário de sucesso dos demais. Entre elas estão capacidade visionária, iniciativa, planejamento, levantamento de informações a respeito de tudo que vai fazer, capacidade de transformar sonhos em objetivos, ousadia e coragem para assumir riscos, persistência e muito empenho.
Para Fabri, se bem observado, é possível notar que tanto os grandes empreendedores de antigamente quanto os atuais possuem essas características em suas personalidades. “Portanto, não há de se esperar que o sucesso venha por acaso. Ele é fruto de muito trabalho dentro das três competências: técnica, administrativa e empreendedora”, afirma o consultor.