09 de julho de 2026
Polícia

Polícia apura tempo da morte com inseto

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Policiais civis do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter) 4 de Bauru concluíram ontem o curso de “Entomologia Forense”. Foram três dias aprendendo como observar, coletar e utilizar insetos na solução de crimes e a varejeira foi apontada como uma importante aliada do profissional no dia-a-dia. Essa é uma técnica bastante utilizada na Europa e nos Estados Unidos, mas ainda desconhecida no Brasil.

Agora, graças a um convênio entre o Ministério da Justiça e a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, ela passou a ser difundida no meio policial paulista. Bauru é a primeira cidade do Interior a oferecer o curso, que até então estava restrito aos policiais da Capital.

Em Bauru, foram montadas duas turmas de 20 policiais civis cada. A primeira se “formou” ontem e a segunda fará o curso na semana que vem. O convite foi estendido a todos os policiais das sete Delegacias Seccionais pertencentes ao Deinter 4 (Assis, Bauru, Jaú, Lins, Marília, Ourinhos e Tupã), mas o objetivo principal é atrair quem trabalha diretamente com a investigação de crimes.

Dependendo do tipo de inseto que esses investigadores encontram em um cadáver, ele pode determinar quanto tempo se passou desde a morte da vítima e se o corpo foi transportado de um lugar para outro. De acordo com o perito criminal da Academia de Polícia de São Paulo, Edilson Nakaza, a decomposição de um corpo segue um processo que é possível determinar o tempo com a ajuda dos insetos.

Ele conta que cerca de 15 minutos após a morte de uma pessoa, normalmente, aparecem as primeiras moscas varejeiras. Três horas mais tarde é possível notar os ovos depositados pelo inseto. Mais cinco ou seis horas aparecem as primeiras larvas. Depois surgem as pupas, que é o estágio intermediário entre a larva e o inseto adulto.

A coleta desses ovos, larvas, pupas ou insetos adultos, somada as informações sobre temperatura do corpo, do local onde ele foi encontrado e da umidade do ar, pode oferecer uma importante contribuição para calcular o Intervalo Pós-Morte (IPM). “Nos cadáveres com até três dias, o Instituto Médico Legal (IML) consegue determinar o tempo com certa precisão. Depois disso, a decomposição do corpo torna os dados não tão precisos. Nesse caso, a entomologia consegue dar melhores respostas”, afirma o perito.

Além de homicídios, essa técnica consegue desvendar também se a contaminação de alimentos ocorreu por má conservação ou por sabotagem. Crimes contra o meio ambiente também entram na lista. O uso constante de agrotóxicos nas plantações, por exemplo, pode provocar a extinção de vários tipos de insetos e, com isso, desequilibrar o ecossistema local.

De acordo com o delegado Luís Henrique Fernandes Casarini, os 20 policiais civis que concluíram o curso ontem estão aptos a pôr imediatamente em prática o que aprenderam. Depois de coletadas as amostras, elas devem ser encaminhadas para as universidades paulistas Unesp, USP e Unicamp, que serão as responsáveis pelas análises.