08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Convite à reflexão


| Tempo de leitura: 3 min

Não sou contra as Olimpíadas como muita gente poderá pensar. Só não sou a favor delas como prioridade para este país. Defenderei minha tese baseado na idéia de que vivemos em um país pobre onde a falta de recurso é sempre o mote para a maioria dos entraves sociais seculares que assolam este país. Mas de repente surge uma Olimpíada e a Copa do Mundo que requerem recursos bilionários para sua montagem e execução. Construir, reformar e equipar hospitais e escolas seria mais oneroso? Ou não temos esta necessidade? Vivemos em nossas casas cercados por muros e cercas elétricas e paradoxalmente com medo daqueles que nem casas possuem.

Por quê? Alegam-nos que não existem recursos para combater a miséria, a violência, fome, reformar o sistema penitenciário, construir escolas e hospitais. Faltam recursos, segundo nos é dito para alicerçar o crescimento e o desenvolvimento de uma nação sobre os pilares indeléveis da educação. Caro leitor convido você a seguinte reflexão. Você acredita que se houvesse uma política social e desenvolvimento econômico eficaz e séria, haveria a necessidade de distribuir dinheiro para população. Distribuir renda, não é distribuir dinheiro. Distribuir renda é dar oportunidade de trabalho, gerar perspectivas individuais de crescimento social e econômico e assim aumentar o poder aquisitivo, desonerar o cidadão de tantos impostos. Impostos que não geram benefícios.

Ou o possuímos escolas, hospitais, estradas, segurança publica de boa qualidade? Claro que não, leitor. Pois faltam recursos. Mas e as Olimpíadas e a Copa do mundo? Lembro-me das aulas de OSPB no colegial (1988) em que o professor fazia referência à dívida externa brasileira tendo com grande culpada as obras “faraônicas” da ditadura militar, entre elas a Ponte Rio Niterói. Quanta ingenuidade. As Olimpíadas e a Copa nada mais são do que a mais antiga das políticas a do “Panis et Circus ” ou seja política do pão e circo. Assim como os césares da antiga Roma, conquistar a popularidade através da distribuição de trocados (pão) e das olimpíadas (circo). E criar o eufemisticamente curral eleitoral. O próximo passo, leitor, é convencer você da necessidade indiscutível destes jogos e que eles gerarão empregos e recursos para o país. Mas se você tem filhos estudando em escolas públicas pense na qualidade do ensino que estão oferecendo ao seu filho, na falta de professores, na falta de materiais e recursos didáticos e em todas as dificuldades que ele encontra para estudar e na outra ponta se você é sordidamente roubado em impostos como se vivesse em feudo medieval.

Pense nos bilhões que serão usados nestes megaeventos esportivos e quantos se favorecerão ilicitamente. Enquanto nós nos escondemos atrás de grades, portões e cercas enquanto outros morrem vitimados pela violência banal cotidiana ou pela fome. Quantas crianças abandonam seus estudos e se unem e engrossam as filas de um exercito de semi analfabetos propícios a marginalidade pela falta de perspectivas de uma vida melhor. Estas são considerações apartidárias sem vínculos políticos por que nos farão engolir a Copa de Mundo e as Olimpíadas, que serviram como principais atores no palco da sucessão presidencial nas próximas eleições. Será que até lá já teremos sanados problemas com a dengue a febre amarela e a leishmaniose doenças da miséria que se disseminam pela falta de recursos e investimentos em saneamento básico que desde a revolta da vacina em 1904 no governo de Rodrigues Alves fulminam este país só nos resta à peste bubônica.

Ciccio Calavrisi