Impressionante como um senador da República como o senhor Aloizio Mercadante vem a público “defender a democracia”, em seu artigo na coluna Opinião desse jornal, pag. 02, de 30/09/2009, a respeito da deposição do ex presidente de Honduras, o sr. Zelaya, quando não defendeu a nossa própria democracia aqui do Brasil, no episódio do seu colega senador José Sarney. Primeiramente, porque nem lá (Honduras, sob o regime de Zelaya) havia, nem aqui (Brasil) há democracia, uma vez que lá o que motivou a deposição do então presidente foi um golpe contra suas soberanas leis, ocorrendo assim sua saída do governo pela corte suprema, pois lá se defende a Constituição. Ora, se a Lei tem que ser cumprida, assim o fizeram. Ao contrário, aqui no Brasil, temos a constituição, que ora é cumprida, ora não, dependendo dos interesses. Assim, querem taxar o governo interino de golpista, organizando uma orquestração internacional envolvendo até a OEA e ONU, não para defender a verdadeira democracia que é “O governo do povo, pelo povo e para o povo”. Onde está o povo governando? Democracia representativa, na verdade não é democracia verdadeira, uma vez que após a contagem das urnas das eleições, muitos eleitos se voltam somente para interesses seus, dos seus partidos, deixando o povo “a ver navios”. O que temos se chama oligarquia, que é um grupo no comando do poder. Velhos caciques partidários se unem somente para estarem sempre no poder, trocando, barganhando cargos, escondendo escândalos, determinando os finais das CPIs em “pizzas”. Nosso prezado senador no caso do seu colega Sarney esperneou, esperneou, mas se rendeu ao cacique maior. Se ao menos propusessem um plebiscito sobre o caso. Mas como?, se esse pessoal tem medo da voz do povo. Então, nota-se somente que, como aqui, tenta-se defender a oligarquia, tenta-se extravasar esse conceito do territorio nacional, defendendo o Zelaya e não o povo de Honduras, e não suas supremas leis. Lei constitucional tem e deve ser acatada e respeitada, fato que o sr. Zelaya não fez, coisa que o governo brasileiro e a própria OEA não têm respeitado.
Aparecido Doniseti Francelin