08 de julho de 2026
Internacional

Encontrado réptil voador nordestino


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Londres - O grupo mais belo e esquisito de répteis pré-históricos do Brasil tem um novo integrante. Trata-se do Tupuxuara deliradamus, um pterossauro cujas asas podem ter medido 4,5 metros de ponta a ponta e que sobrevoava a região de Santana do Cariri, no sul do Ceará, há mais de 100 milhões de anos.

O bicho foi descrito pelo paleontólogo Mark Witton, da Universidade de Portsmouth (Reino Unido), em artigo na revista científica “Cretaceous Research’’, e mostra que a diversidade de répteis voadores no Ceará da Era dos Dinossauros provavelmente era grande.

Essa já é a terceira espécie do gênero Tupuxuara a ser descoberta pelos cientistas. O T. deliradamus se diferencia das demais, entre outras coisas, por causa do formato peculiar de uma abertura em seu crânio, a chamada fenestra nasoantorbital. O buraco tem forma que lembra um diamante - daí o nome de espécie deliradamus, uma tentativa de dizer “diamante louco’’ em latim.

O que, aliás, explica tudo: como fã da banda de rock progressivo Pink Floyd, Witton resolveu dar ao bicho um nome que ecoasse a canção “Shine on you crazy diamond’’ (“Brilhe, seu diamante louco’’), a qual, por sua vez, homenageia o primeiro líder da banda, Syd Barrett (1946-2006). “Conversei com um amigo e nós dois concordamos que a homenagem era a coisa certa a fazer’’, diz Witton.

Além das asas avantajadas e do “bico’’ sem dentes, os pterossauros do gênero Tupuxuara, assim como seus primos próximos, do gênero Thalassodromeus, são caracterizados por imensas cristas ósseas no alto da cabeça. A função desse tipo de cocar ainda não está clara.

Alguns pesquisadores, como o brasileiro Alexander Kellner, paleontólogo do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), postularam que a crista era uma espécie de radiador. Cortada por uma densa rede de vasos sangüíneos, ela seria responsável por dispersar o calor do corpo dos bichos durante o vôo.

Witton, porém, não aposta nessa interpretação. “Uma coisa que notamos é que essa rede de vasos está apenas na superfície da crista, não chega ao fundo dela. Isso indica que ela não era boa para transportar o calor dos órgãos internos para fora e vice-versa’’, diz. “Vemos que a crista só fica realmente grande em indivíduos maduros. Isso sugere que ela podia ser um sinal de maturidade sexual’’, avalia.

O fóssil que permitiu a descrição da nova espécie - um crânio parcial e uma mandíbula também parcial - estava depositado na Universidade de Portsmouth e agora passará uma temporada na Alemanha. Museus do Primeiro Mundo adquirem sem problemas os fósseis de atravessadores, uma vez que não reconhecem a legislação que impede a saída desse material do Brasil sem autorização.