10 de julho de 2026
Internacional

Justiça da China condena à morte seis uigures por choques de julho


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Pequim - A Justiça chinesa condenou ontem à morte seis homens envolvidos nos violentos distúrbios étnicos na Província de Xinjiang, que mataram quase 200 pessoas em julho passado. Outro homem foi condenado à prisão perpétua. Os sete condenados são uigures, minoria muçulmana que formava a maioria da população da Província de Xinjiang até a ocupação da região pelas tropas de Mao Tsé-tung em 1949.

Eles foram condenados por homicídio, roubo e vandalismo. Para organizações de uigures exilados, o julgamento não seguiu procedimentos legais e pode inflamar mais as tensões dos uigures contra os chineses.

Em 5 de julho passado, 197 pessoas morreram na ruas de Urumqi, Capital de Xinjiang - 147 chineses (han, maioria étnica do país) e 50 uigures. Graças a uma política de Pequim iniciada nos anos 60, de enviar chineses para colonizar a região uigur, 80% da população atual de Urumqi é chinesa han.

Uigures no exílio também reclamam que a cobertura da mídia estatal chinesa só fala das vítimas han e não da violência contra os uigures.

Em outra sentença, um homem foi condenado à morte e outro à prisão perpétua por participar do linchamento de dois operários uigures em uma fábrica de brinquedos em Guangzhou, no Sul da China. O episódio foi o estopim dos distúrbios de Xinjiang. Os dois foram linchados após um ex-empregado chinês, insatisfeito com a chegada dos uigures, espalhar boato de que tinham estuprado uma jovem.

As duas sentenças foram divulgadas ao mesmo tempo pela mídia estatal chinesa. Abdukerim Abduwayit, Gheni Yusup, Abdulla Mettohti, Adil Rozi, Nureli Wuxiu’er e Alim Metyusup foram condenados diante de 400 pessoas, entre elas deputados, assessores do Partido Comunista e familiares das vítimas. O julgamento foi feito em uigur, com tradução para o chinês.