A opinião neutra é de um norte-americano que veio ao Brasil em 2008 sem precisar agradar a gregos e a troianos, sobre a educação, que todos sabem estar sendo empurrada com a barriga: Martin Carnoy, 71 anos, doutor em economia pela universidade Stanford, nos EUA, onde atualmente também comanda um centro voltado para pesquisas sobre educação. Em entrevista à editora Monica Weinberg, da revista Veja, páginas 132 e 134, em 30 de setembro de 2009, destaca:
Como no século 19 - o ensino no Brasil está estagnado como no século 19. Já se passou o tempo de giz e lousa. Há muito improviso em sala de aula, onde se esvaem 30% das aulas. Não há qualificação suficiente para trabalhos em equipe que envolva o intelecto. O nível geral está muito baixo.
Menos teoria e mais prática - as faculdades devem atentar para treinar seus professores para ensinar, e não difundir teorias pedagógicas genéricas. E por outro lado, simplificando demais linhas de pensamento de natureza complexa.
Que construtivismo é esse? Falta um olhar mais científico e apurado sobre o que diz respeito à sala de aula. Muito distante do conceito original, aquele de Jean Piaget (psicólogo suíço - 1896-1980). Faltam bons professores, falta preocupação em trazer algum benefício ao ensino com seus ideários. Há um excesso de ideologia na educação.
À caça de mestres brilhantes - Os melhores estudantes têm que ser atraídos para a sala de aula com perspectiva de carreira, de reconhecimento do seu talento. Taiwan tem em seu quadro de docentes as melhores cabeças do país, onde um professor ganha como um engenheiro. No Brasil, o que mais falta é um horizonte profissional.
Vigilância sobre os professores - Professor precisa prestar contas do seu trabalho, não pode ser livre para escolher o que ensinar. Tem que haver um padrão e excelência acadêmica.
Na linha da mediocridade - O atraso é visível, principalmente no Norte e Nordeste. Crianças andando quilômetros a pé para ir à escola, sem as mínimas condições. Com salas de aulas ao ar livre em baixo de árvores. Quando o Brasil colocará a educação como prioridade? Os alunos brasileiros que figuram entre os 10% melhores são comparados aos piores estudantes da Finlândia.
Chega de universidade gratuita - Chega de universidade para os que podem pagar. No Brasil, os que conseguem vaga em universidades públicas são os que mais podem pagar. Não há interesse político para preparar alunos do ensino público para ingressar nas universidades públicas. Hoje ingressam em universidades públicas os estudantes que cursaram escolas privadas e foram mais preparados para isto. Não seria coerente que estes estudantes que ingressarem em escolas públicas que pagassem por isto? É assim em tantos países de bom ensino superior. Por que a esquerda brasileira quer subsidiar os mais ricos na universidade? Com o dinheiro, daria para atrair professores do mais alto nível. O Brasil precisa, afinal, começar a se nivelar por cima!
Com todo este quadro desanimador, ainda assim temos profissionais capacitados, competentes, dedicados, talentosos, nadando contra a maré que o governo os impõe, sem uma política voltada a prepará-los melhor, remunerá-los melhor e incentivá-los numa jornada tão brilhante que é a educação.
André Luiz Bueno - acadêmico de direito