Por esses dias, estava conversando com a amiga Érika Woelke, que foi minha colega de turma no Ernesto Monte. Desde a segunda série primária, quando a conheci, ela já adorava desenhar e eu, escrever. Recentemente, nos reencontramos na Editora Alto Astral, ela como designer e eu, jornalista.
Lembramo-nos dos bons tempos do Ernesto Monte, das diretoras - a dona Íria e, depois, a Heloíse - e de tantos professores. E, como outros ex-alunos, também torcemos para que a reforma física do colégio Ernesto Monte, quem sabe, possa resgatar um pouco de tudo aquilo que a escola já foi. Nessa conversa com a Érika, logo veio à tona o nome do professor Horácio. O professor querido, respeitado, competente, que fazia as equações mais complicadas fazerem sentido em nossas cabeças. Ele nunca precisou gritar para ser ouvido, porque nos interessávamos pelo que tinha a dizer. Foi ele que me incentivou a participar da Olimpíada de Matemática em 1993, que me trouxe uma medalha.
Claro que já me esqueci de muitas fórmulas (não a de Baskara, da qual o professor Horácio jurava que não iríamos nos esquecer), até porque segui a área de Humanas, mas não se perdeu o raciocínio que a matemática me proporcionou. O tempo passa rápido demais e eu esperava que ainda encontraria o professor Horácio para dizer que a menina que, às vezes, chegava atrasada na escola por causa do ônibus, continua seguindo em frente.
Não foi pouco ter cursado duas faculdades, mestrado, doutorado e atuar nas áreas que escolhi: o jornalismo e a acadêmica. Mas o melhor de tudo foi ter convivido com pessoas tão maravilhosas, que tornaram essa trajetória mais humana e cheia de vida. Eu me lembro de vários nomes, desde as tias do primário. Mas fica, hoje, nesse dia dos professores, essa homenagem ao professor Horácio, e tenho certeza de que em nome de muitos e muitos ex-alunos, pois esse professor fez a diferença em nossas vidas. Como profissional, como pessoa, como pai. Eu era da turma da Wynee e acho que todos nós nos sentíamos um pouco filhos dele também (e seu coração era grande o bastante).
Ele se foi bem cedo, mas eu tive a oportunidade de estudar nove anos com ele. Sou muito grata por isso. Precisamos de professores, mas ainda antes de pais tão dignos quanto ele para promovermos a verdadeira reforma.
Érika de Moraes - jornalista e professora da Universidade do Sagrado Coração