Brasília - O presidente Lula reagiu com ironia e provocação à declaração do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), de que “há uma absoluta ausência de investimentos na irrigação” no Nordeste “há seis ou sete anos”. Lula afirmou que o possível candidato presidencial tucano está, com esse comentário, “preparando o discurso para a campanha” de 2010. E o provocou dizendo que pretende convidar o governador a participar da inauguração de alguns projetos de irrigação na região.
As declarações de Lula, divulgadas pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República, foram feitas em entrevista a emissoras de rádio mineiras e do Nordeste, em canteiro das obras de transposição do Rio São Francisco, no município pernambucano de Sertânia.
Ao ser informado sobre a declaração do governador tucano, Lula ironizou: “eu não sabia que o Serra tinha alguma preocupação com o Nordeste, mas, se começa a ter, um pouquinho perto das eleições, é um bom sinal”. Se o lançamento de sua candidatura for confirmada, Serra deverá ser o principal adversário da pré-candidata de Lula à presidência, Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil. “O que é triste é isso”, disse Lula, “vai passando o tempo, as pessoas não falam, as pessoas ficam mudas, e quando vai chegando perto das eleições, as pessoas começam a preparar o discurso para a campanha”.
Lula admitiu que “muita gente”, entre os críticos das obras do governo no Nordeste, tem “razão em muitas coisas”, mas discordou de quem diz que as comunidades ribeirinhas e de outros lugares não estão sendo atendidas. “Nós criamos o programa ‘Água para Todos’, que vai levar água para todas as comunidades perto do Rio São Francisco que não têm água. Não podemos jogar nas costas do rio e nas costas do programa de transposição a responsabilidade de séculos de descaso com o povo brasileiro”, declarou o presidente.
“O Serra que fique esperto, porque ele vai ver o que nós vamos inaugurar de irrigação no Nordeste nesses próximos meses - projetos que estiveram parados por anos, e não parados por nossa culpa, parados por irresponsabilidade do Poder Judiciário, da Justiça, por erro de projetos que nós estamos recuperando. Quero até convidar ele para participar comigo da inauguração de alguns projetos, para ele entender o que está acontecendo no Nordeste brasileiro.”
O presidente disse que seu governo tem, não apenas um, mas “vários programas” voltados à solução do problema da falta de água no Nordeste. “E acho que se continuar fazendo os investimentos que estamos fazendo, dentro de cinco anos nós teremos um Brasil com muito mais saneamento básico, com muito mais água boa para beber, um Brasil com muito mais energia”, acrescentou.
Reação tucana
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), respondeu com ironia ontem à declaração do presidente Lula de que o tucano está começando a preparar seu discurso de campanha ao criticar as ações de combate à seca do governo federal no Nordeste. “Se aquilo que eu disse ajudar a ter um metro a mais de irrigação no sertão de Pernambuco, eu vou ficar feliz. Fico felicíssimo”, reagiu Serra, após participar de um evento na Capital paulista ontem pela manhã.
Ontem, ao comentar a viagem do presidente Lula às obras de transposição do rio São Francisco, Serra disse que faltava irrigação nas áreas vizinhas.
“Vai fazer transposição do São Francisco, tudo bem. Mas áreas que já estão à beirada do rio deveriam ser irrigadas (...) É curioso, enquanto se cuida da transposição, não cuidar da posição daqueles que já estão nas margens do rio”, afirmou o tucano, segundo quem “pelo menos em Pernambuco, (os projetos de irrigação) foram totalmente paralisados”.
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“Pão pão, queijo queijo”
Floresta - “Gostaria que tivéssemos uma eleição plebiscitária, pão pão, queijo queijo”. A defesa foi feita ontem pelo presidente Lula durante sua visita a Floresta, no sertão pernambucano, onde vistoriou o canteiro de obras na tomada de água do Eixo Leste da transposição do Rio São Francisco.
“Se não for possível, paciência”, completou o presidente, ao deixar claro, no entanto, que no que depender dele, sua sucessão será disputada por um representante da situação e um da oposição. Indagado sobre a possibilidade de dois palanques presidenciais em Pernambuco - com as candidaturas da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), e do deputado federal Ciro Gomes (PSB) -, Lula brincou: “não vê que a Dilma e o Ciro estão sempre juntinhos?”
Confiante na relação construída com os governadores de Pernambuco, Eduardo Campos, e do Ceará, Cid Gomes, ambos do PSB, o presidente acredita que haverá entendimento nacional em torno de um só candidato.