O Dia das Crianças do Projeto Caná Ferradura Mirim chegou atrasado, mas em grande estilo. Na tarde de ontem, os pequenos se reuniram no Santa Madalena para uma matinê. Ao som do axé, do funk e da música eletrônica, ninguém ficou parado. Para muitos, foi uma festa diferente de todas que já participaram.
Isabeli Luiza dos Reis, 7 anos, não parou de dançar nem para dar entrevista. Para ela, que diariamente participa das atividades do projeto e tem as aulas de informática como uma das preferidas, a melhor parte da festa foi dançar com as amigas. Essa também é a opinião de Manueli Aparecida de Oliveira, 7 anos, que apesar de tímida, conversou e dançou para a reportagem do JC.
Já Thaís da Silva, 8 anos, ficou encantada com as luzes da casa noturna. “Estou achando tudo muito lindo. Nunca vi uma coisa assim”, afirma.
Não faltou refrigerante e muitos salgadinhos para a criançada. De acordo com o diretor do Projeto Caná, Domingos Fuentes, a idéia de comemorar o Dia das Crianças no Santa Madalena surgiu junto aos educadores, voluntários e até mesmo com os maiores interessados, os alunos. “Realizamos diversas atividades fora da nossa sede, para que os nossos alunos conheçam lugares diferentes, novas culturas e, acima de tudo, se sintam parte da sociedade. Não tenham vergonha de estar em um ambiente diferente do que vivem diariamente”, explica. “Esta é uma forma de educar, de dar auto-confiança e amenizar o medo que muitos têm do mundo aí fora, de realidades que não têm acesso”, acrescenta Fuentes.
Criado há 20 anos, o projeto atende crianças de 5 a 18 anos em atividades socioeducativas, esportivas, de arte, realiza cursos que visam trabalho e renda e também de preparação para o primeiro emprego. Com sede na rua Paulo Kinoshita, 4-40, no Parque Paulista, o Projeto Caná é uma entidade civil sem fins lucrativos, que tem como objetivo apoiar e executar atividades comunitárias, ações sócio-educativas e culturais, além de desenvolver a capacidade dos moradores de bairros populares para ações coletivas de melhoria de condição de vida.
Em 1981, um grupo de jovens católicos atendia às crianças que moravam nos arredores do Mosteiro da Imaculada Conceição, no Ferradura Mirim. Na época, o local era limite da cidade com zona rural e predominavam os pequenos terrenos e construções bem simples, em uma área carente. Os filhos dos moradores recebiam assistência e acompanhamento educativo e religioso semanalmente.
A situação mudou e começou a surgiu o embrião do que depois seria a “Favela Ferradura Mirim”. Em 1995, foi criada a Associação Comunitária Caná (ACC), que visa dar suporte legal e econômico às atividades sociais do grupo. “O grupo foi crescendo por meio de reuniões e encontros com as famílias das crianças assistidas. Acompanhamos a evolução e a luta dos moradores pela instalação de água, luz, esgoto, iluminação pública”, revela Fuentes.
Atualmente, o projeto atende cerca de 200 crianças e adolescentes, de segunda a sexta-feira, em atividades que ocorrem das 8h às 17h; outras 230 pessoas aos sábados, em programações das 9h30 às 13h. As atividades são oferecidas no horário inverso ao escolar, ou para os jovens que estudam à noite, já que o critério principal para participação é a freqüência e desempenho escolar.
O projeto tem uma parceria com a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) e sobrevive com a ajuda e doações de amigos. Hoje, o programa conta com 13 educadores contratados e outros profissionais voluntários. Mais informações: (14) 3203-5241.