A iluminação precária em alguns pontos de Bauru gera reclamações entre os moradores há muito tempo. Inclusive este fator foi apontado pela Polícia Militar (PM) como um dos “responsáveis” por crimes registrados em algumas regiões. Segundo o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), o grande problema não é a falta de interesse ou de investimentos por parte da administração pública no setor, mas sim a dificuldade de negociação da prefeitura com a CPFL Paulista, responsável pelo fornecimento de energia na cidade.
Agostinho afirma que há muitos projetos para serem executados, mas que não saem do papel porque não foram entregues os orçamentos. Este ano, a prefeitura investiu mais de R$ 1 milhão em iluminação. “Mexemos na avenida Duque de Caxias e fizemos algumas intervenções em bairros. Mas ainda temos o impasse nas negociações com a CPFL. Há muita demora para a entrega de projetos por parte da distribuidora”, afirma o prefeito.
Em janeiro, a administração municipal solicitou um plano de investimentos para a companhia - documento que aponta alguns investimentos e necessidades da cidade -, que foi entregue em maio. “Com esse documento em mãos, marcamos uma reunião com a direção da CPFL em Campinas, que aconteceu apenas às vésperas do Congresso de Iluminação Pública, em agosto”, revela Agostinho.
“Queremos partir para as execuções, mas a CPFL não deu resposta a uma série de negociações. Temos que enfrentar esse impasse. Nossa expectativa é que essa situação melhore”, acrescenta.
Existem projetos de troca de lâmpadas em duas grandes regiões da cidade para serem orçados pela CPFL, além de projetos pontuais de instalação de novos pontos de luz, iluminação em praças, remoção de postes, entre outros serviços, segundo o prefeito.
Um dos cartões postais de Bauru, a avenida Nações Unidas, sofre com a falta de iluminação. O problema foi mostrado várias vezes pelo JC. Logo nas primeiras quadras da via, as lâmpadas queimadas deixam pelo menos três quarteirões na penumbra. O músico Heraldo Brevinglieri Júnior já pediu solução para o problema, apenas este ano, três vezes. “Já alertei no Carnaval e em maio deste ano que as quadras 1 e 2 da avenida estão sem iluminação”, relata. “O cidadão paga seu imposto e não tem retorno nenhum”, critica.
Lâmpadas queimadas
As quadras da Nações Unidas entre a rua Marcondes Salgado e a linha férrea também estão com lâmpadas queimadas. A população também reclama da escuridão próximo ao Parque Vitória Régia.
“A Nações Unidas, que deveria ser um orgulho para Bauru, hoje nos envergonha. O Vitória Régia, que deveria ser o cartão postal, hoje não passa de um retrato triste, quase apagado”, reclamou o bancário Vitor Teixeira Mendes Jacomassi em uma carta publicada na Tribuna do Leitor do JC, em julho.
No mesmo texto, ele questiona qual seria a dificuldade para resolver o problema das lâmpadas queimadas. “Gostaria de saber de verdade onde está a dificuldade para começar a resolver a questão: estrutura, falta de mão-de-obra, seja da prefeitura ou da CPFL, ou o problema mesmo é a falta de projetos para a cidade?”, questionou.
Segundo Jacomassi, o problema de iluminação pública é antigo. Ele cita regiões do Jardim América, Jardim Europa, Jardim Aeroporto, Vila Universitária, Jardim Panorama, Jardim Brasil, Altos da Cidade e proximidades do Bauru Shopping como preocupantes.
Rodrigo Agostinho explica que Bauru ficou muito tempo sem fazer investimentos em iluminação pública por conta de uma dívida do município com a CPFL. No ano passado, o pagamento foi dividido em parcelas anuais. “Por isso, temos um passivo muito grande. Há luminárias fora do padrão da CPFL, lâmpadas de mercúrio que deveriam ser trocadas pelas de sódio. Temos mais de 15 mil lâmpadas para trocar.”
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CPFL
Segundo o gerente de contas do poder público da CPFL Paulista, Luiz Antônio de Campos, a distribuidora entregou um orçamento do setor 11 - que engloba as regiões do Jardim Redentor, Núcleo Presidente Geisel, Jardim Cruzeiro do Sul e Jardim Nicéia - antes do Seminário de Iluminação Pública, em agosto. “Após o seminário, eles solicitaram algumas mudanças e temos o prazo para entregar um novo orçamento até o dia 26 (de outubro)”, explica.
Além disso, Campos afirma que outros projetos tiveram orçamentos apresentados, mas a companhia não obteve resposta por parte da administração municipal. A partir do momento em que os valores são entregues ao solicitante, ele tem até 60 dias para realizar o pagamento. Se o projeto não é pago e mais uma vez solicitado, a CPFL precisa fazer um novo estudo da região. Este trâmite demora cerca de 15 dias.
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Projeto para região do Shopping está no papel
A iluminação pública nas imediações do Bauru Shopping necessita de melhorias. Em matéria publicada no último dia 8 de julho pelo JC, intitulada “Violência cresce e exige ações amplas”, foi relatado o caso de duas mulheres que foram vítimas de seqüestro-relâmpago naquela região. Rendidas por quatro ladrões, elas foram deixadas na rodovia Bauru-Iacanga sem o carro e dinheiro. Dois adolescentes acusados pelo crime foram presos pela Polícia Militar (PM) logo em seguida.
Na ocasião, o comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI), tenente-coronel Benedito Roberto Meira, apontou que a iluminação fraca era um dos fatores que facilitam a ação de bandidos no local. Diante do fato, foram anunciados projetos de iluminação pública para a cidade.
O projeto para a região do Bauru Shopping, encabeçado pelo vereador José Roberto Segalla (DEM), foi orçado em R$ 108 mil pela CPFL Paulista, que concedeu desconto e cobrou R$ 101 mil. “O prefeito disse que não tinha todo o dinheiro, mas que destinaria de R$ 30 mil a R$ 40 mil para o projeto”, revela Segalla.
Com isso, a administração dividiu R$ 60 mil em quatro cotas de R$ 15 mil cada. “Para a idealização do projeto, pedimos ajuda aos empresários do local. O Grupo Nelson Paschoalotto fechou uma cota, a Amantini e o Grupo Savoy fecharam outros dois”, explica o vereador.
“Ficou uma cota de R$ 15 mil que foi solicitada para o Shopping, já que será um dos maiores beneficiados e tem um alto número de lojistas. Após a realização de uma assembléia há cerca de 15 dias, eles nos mandaram a resposta por e-mail dizendo que não poderiam contribuir, mesmo com o pagamento sendo em seis parcelas de R$ 2.500,00, porque investiram nas obras de ampliação do estabelecimento e estão com o orçamento comprometido”, acrescenta.
Por outro lado, o gerente geral do Bauru Shopping, Ivan Mouta, afirma que não foi dada uma resposta final para o projeto. “Temos um Conselho de Condôminos que decide, por meio de assembléias, esse tipo de gasto. O pedido foi levado à apreciação do grupo, mas ainda não foi dada uma resposta”, afirma.
Segundo Mouta, a preocupação dos lojistas é a seguinte: caso o financiamento seja aprovado, haverá condições de arcar com essa despesa ainda este ano? “Nós fazemos uma programação de orçamento que está toda comprometida até o final do ano. Não sei se vamos conseguir desembolsar esse dinheiro neste exercício”, explica. Na tentativa de tirar o projeto do papel, o grupo irá solicitar a colaboração de outros comerciantes, lojistas e empresários da região.