10 de julho de 2026
Política

Lobby do PS tenta manter adicional de 125% em lei

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Servidores de áreas técnicas e médicos lotados no Pronto-Socorro Municipal (PS) estão em franca campanha pela manutenção do ganho de 125% sobre os salários (condições adversas) mesmo que o Executivo envie para a Câmara projeto prevendo a incorporação do adicional no salário base.

O lobby dos profissionais do setor junto a vereadores e mesmo em relação a assessores diretos do prefeito pretende manter os 125% como vantagem independentemente das intenções reguladoras defendidas pelo secretário Municipal de Saúde, Fernando Monti, para a criação de plano de cargos e salários e nova estrutura no setor.

O governo já esperava a resistência, mas espera demonstrar para os profissionais do setor e os vereadores que a incorporação do adicional é benéfica para a carreira. De outro lado, a defesa do adicional pelos servidores do Pronto-Socorro está gerando reação no outro lado do funcionalismo da mesma pasta, os servidores e médicos que atuam nas Unidades Básicas (UBS).

A proposta inicial apresentada por Fernando Monti ao prefeito Rodrigo Agostinho quer mudar o conceito de remuneração. Ao invés do pagamento pelo local de trabalho (como é hoje), a proposta revelada pelo JC há duas semanas quer a remuneração melhor pelo conjunto de aptidões e características do serviço. Assim, o projeto de lei em estudo dentro do governo local pretende unificar salários dos profissionais, sobretudo os médicos, independentemente da atuação no OS ou UBS.

A campanha pela permanência dos 125%, do lado do Pronto-Socorro, afeta diretamente as pretensões de quem atua nas UBS, cujo quadro de funcionários é em maior número. Sem juízo de valor sobre a defesa de cada parte, a manutenção ou não do adicional vai definir a revisão, ou não, da lógica de funcionamento do sistema pretendido pelo governo local.

Anteontem, servidores municipais de Saúde, do Departamento de Urgência e Emergência, defenderam os 125% em carta na tribuna do leitor do JC. Outros profissionais estão conversando diretamente com vereadores em campanha pelo adicional. Na publicação em carta, os servidores do PS classificam que o adicional existe para “complementar as condições de trabalho, que não são boas.

Mas, enquanto os servidores do setor defendem o adicional, os médicos lotados no Pronto-Socorro (criticados pelo funcionalismo na carta) tentam defender o mesmo benefício. Eles reclamam que médicos dormem durante a jornada de trabalho e outros ficam fora da unidade durante o expediente.

A limitação orçamentária e a previsão de crescimento de despesa em até 5% para a criação da nova grade da Saúde podem levar o governo a ter de rever a implantação defendida pelo setor, caso os 125% tiverem de ser mantidos. O Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) é contra a separação da Saúde em grade específica na administração.