Tegucigalpa - O impasse em torno de qual Poder analisará um eventual acordo para a restituição de Manuel Zelaya à Presidência de Honduras adiou novamente o fim das negociações em Tegucigalpa entre o presidente deposto e o governo interino, de Roberto Micheletti.
A divergência continua sendo se o Judiciário, como quer Micheletti, ou o Legislativo, como exige Zelaya, é o Poder que tem a incumbência de aceitar ou recusar um acordo assinado pelos dois lados para a restituição do presidente deposto.
Segundo um alto assessor de Zelaya, a ratificação pela Suprema Corte de um eventual acordo é inaceitável porque a instância máxima do Judiciário hondurenho já se pronunciou desfavoravelmente sobre o Acordo de San José, proposta elaborada no final de julho e que prevê um retorno condicionado do presidente deposto. As negociações atuais giram em torno desse texto.
Já Micheletti argumenta que o Judiciário é a instância adequada para analisar se uma eventual volta de Zelaya tem base jurídica ou não. “Não podemos aceitar (para ratificar o pacto) um juiz que já se pronunciou (negativamente)”, disse, sob condição de anonimato, o assessor de Zelaya.
Clima ficou tenso
O ponto não evoluiu no dia de ontem. Os dois times saíram da mesa de negociações mais de duas vezes para consultas. O clima de tensão tomou conta do hotel onde se realizam as negociações, e a polícia pela primeira vez entrou no local para garantir a segurança.
Segundo um dos negociadores, houve um momento em que houve a decisão de romper com as conversas. A vice-chanceler do governo interino, Martha Alvarado, chegou a informar a imprensa que os negociadores de Zelaya haviam “abandonado” a mesa de negociações - no momento em que eles estavam em consultas com o presidente deposto.
Alvarado defendeu que as negociações sigam, mas insistiu em uma “arbitragem hondurenha” para as negociações. Ela não detalhou que arbitragem seria essa, mas defendeu a participação de integrantes da Corte Suprema em algum momento da tomada de decisão.
O ministro do Turismo de Zelaya, Ricardo Martínez, deu uma coletiva desmentindo que as negociações estivessem rompidas em definitivo, apesar de já ter se esgotado o prazo dado pelo presidente deposto para um acordo -inicialmente ontem e depois estendido até o meio-dia de ontem.
Segundo o porta-voz de Zelaya, Victor Meza, depois de mais um dia de negociações, o acordo proposto pelos representantes do governo interino é “absolutamente absurdo”.