A instituição de um piso nacional para a categoria é uma das saídas apontadas pelas entidades de classe, para evitar que os médicos estabeleçam “ligações perigosas” com os laboratórios e a indústria a fim de incrementarem a própria renda. O projeto de lei número 3.734/2008, de autoria do deputado Ribamar Alves (PSB-MA), tenta garantir aos profissionais da área um salário mínimo de R$ 7.503,18.
A proposta chegou a receber apoio até mesmo do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, em entrevista concedida ao site da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), no final do ano passado. “Eu acho que é justo. Da mesma forma que nós conseguimos garantir um piso salarial para os professores, eu acho que os médicos têm direito de ter um piso salarial”, afirmou.
Ao longo da última semana, o Jornal da Cidade entrou em contato com o Ministério da Saúde, em busca de informações a respeito do projeto de valorização profissional dos médicos. Porém, até o fechamento desta edição o responsável pelo setor não foi encontrado para comentar sobre o assunto.
Para o delegado regional do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Carlos Alberto Monte Gobbo, a valorização da atividade passa diretamente pelo fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Muitos colegas ainda acreditam que a solução está no modelo privado. Discordo dessa visão. Se eu atender aos pacientes apenas em meu consultório particular, não terei direito a férias pagas, 13.º salário ou auxílio doença. Se quiser me aposentar, terei de contribuir com o INSS como profissional liberal. Oras, que tipo de profissão liberal é essa, em que não possuo direito trabalhista algum? Nós, médicos, estamos mais para trabalhadores informais”, pensa Gobbo.
O presidente da regional Bauru da Associação Paulista de Medicina (APM), Eduardo Curvello Tolentino, considera vergonhoso o salário dos médicos na esfera pública. “Se você comparar os nossos rendimentos com os de outros profissionais (juízes, advogados ou engenheiros), verá que existe uma grande disparidade de valores”, diz.
Atualmente, em Bauru, os médicos da rede pública municipal com jornada de 20 horas semanais recebem R$ 1.289,55 ao mês, além de abono de R$ 243,31 e adicionais para os profissionais que atuam nos serviços de urgência e emergência. O salário para aqueles que trabalham dez horas por semana é de R$ 644,77, mais abono de R$ 121,65 e adicionais de urgência e emergência.
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Manipulação genética
Outro aspecto inovador do novo Código de Ética Médica é o fato de o documento abordar questões polêmicas referentes às técnicas de reprodução assistida. O texto proíbe os profissionais de realizarem experiências que visem a manipulação genética. São impedidos, por exemplo, de escolher o sexo dos bebês, mesmo que os pais assim o queiram.
“Muitas das questões abordadas pelo código já eram aceitas e praticadas pela sociedade. A ética vem sempre a reboque dos costumes em vigor”, pensa o delegado regional do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Carlos Alberto Monte Gobbo.
Recentemente, os excessos envolvendo utilização das técnicas de reprodução assistida ganharam destaque na mídia com a prisão do ginecologista Roger Abdelmassih, acusado de abusar sexualmente de mais de 50 pacientes.
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Médico de almas
O Dia do Médico, comemorado na data de hoje, é uma homenagem ao discípulo São Lucas, autor do terceiro Evangelho do Novo Testamento. Segundo a tradição católica, ele teria nascido em Antioquia (atual Turquia), onde estudou medicina, pintura e literatura. O apóstolo São Paulo se refere a ele como “o amado médico”, no capítulo 4 da Epístola aos Colossenses.
Convertido ao cristianismo, Lucas acompanhou Paulo em suas jornadas missionárias pelo Oriente Médio. Teria convivido com Maria, durante certo tempo, experiência que lhe permitiu conhecer pormenores da vida íntima de Jesus.
Ele é um dos poucos que narram eventos ocorridos na infância de Cristo. Por conta de sua atividade como médico, Lucas passou a ser conhecido pelos fiéis como o “médico de almas”.