08 de julho de 2026
Política

Estação é declarada de utilidade pública

Monise Centurion
| Tempo de leitura: 3 min

O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) assinou ontem o decreto que declara de utilidade pública para fins de desapropriação o prédio central da estação ferroviária de Bauru, localizado na Praça Machado de Mello. Acompanhado de parte de seu secretariado e da maioria dos vereadores, o chefe do Executivo deu o primeiro passo para a formalização da compra do imóvel para instalação da Câmara e da Prefeitura, a partir de 2010.

A cerimônia foi realizada no pátio da estação, durante solenidade de abertura do 2º Encontro Histórico Ferroviário e de Ferromodelismo de Bauru. “Estou muito feliz. Esse é um dia histórico para a cidade de Bauru, que começou a desenvolver-se com a vinda da ferrovia. Quero agradecer ao presidente do Legislativo, Pastor Luiz Carlos Barbosa (PTB), que vai nos ajudar a viabilizar isso. Vamos saldar uma grande dívida com a sociedade”, afirmou Agostinho, que manifestou ainda a intenção de colocar para funcionar o antigo relógio do prédio, até o final deste ano.

A estação ferroviária começou a operar em 1939 para abrigar os antigos escritórios da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), Estrada de Ferro Sorocabana e Companhia Paulista Estrada de Ferro, além de todos os embarques e desembarques das três ferrovias. A área construída, que engloba um prédio pomposo situado na área central de Bauru com três pavimentos (térreo e dois andares), galpão Gare (área do arco) e as plataformas, totaliza 12.411,01 metros quadrados. A área toda do terreno é de 13.093,67 metros quadrados. Só em estacionamento, a estação apresenta 604, 26 metros quadrados em espaço.

“Vou falar em nome dos ferroviárias aposentados. Essa não é uma conquista apenas da categoria, mas de toda cidade, de todo País”, disse o vereador e integrante do Sindicato dos Ferroviários, Roque Ferreira (PT). Com o decreto, a prefeitura confirma a aquisição do imóvel junto a entidade de classe, detentora da posse do espaço. A Caixa Econômica Federal (CEF) avaliou o prédio no valor de R$ 6,3 milhões. A proposta do prefeito é de parcelamento desse valor para ser quitado dentro da atual administração, até 2012.

A aquisição do bem histórico também foi possível porque a Câmara concordou em destinar à compra do imóvel o valor que seria utilizado para a construção de um novo prédio para o Legislativo, em cerca de R$ 3,5 milhões. O recurso será transferido do Orçamento do Legislativo para o do Executivo ainda neste ano, na votação da peça referente a receitas e despesas distribuídas aos Poderes para 2010.

Para o presidente da Câmara, a grande estrutura que permaneceu abandonada por mais de dez anos irá receber os parlamentares já em 2010. “Decidimos fazer essa parceria com a prefeitura e hoje (ontem), vendo todo esse prédio, vi que fizemos a coisa certa”, disse Pastor Luiz. A administração municipal vai assumir a reforma hidráulica e elétrica do prédio, além de ajustes na parte externa (que tem de ser preservada). A intenção do Executivo é liberar pelo menos a área a ser escolhida pela Câmara até o segundo semestre do próximo ano. O Legislativo pretende reservar R$ 1,5 milhão para instalações e modernização na área.

Emoção

Depois dos discursos entusiastas, as palavras calaram-se ao som do apito da Maria Fumaça que, depois de muitos anos, passou novamente pelos trilhos da pomposa estação ferroviária. A emoção tomou conta de todos, principalmente dos mais velhos, que ainda guardam na lembrança o auge da ferrovia em Bauru. O secretário municipal de Desenvolvimento, Nico Mondelli, chegou a chorar durante a passagem da locomotiva.

Com a voz embargada e lágrimas nos olhos, o ferroviário aposentado Antonio Pietro Rodrigues, que completará 100 anos no próximo mês, recebeu a homenagem da Associação de Preservação Ferroviária e de Ferromodelismo de Bauru (APFFB). “Minha emoção não seria diferente. A ferrovia não podia ter acabado. Isso tudo criou muita gente.” Além dele, receberam a honraria Maria Aparecida Ribeiro Leoni e o prefeito Rodrigo Agostinho.