09 de julho de 2026
Nacional

Reitoráveis querem mudar eleição na USP


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São Paulo - Os oito candidatos à reitoria da mais conceituada universidade do Brasil, a Universidade de São Paulo (USP), concordam que o processo de escolha do reitor está longe do ideal e propõem mudanças (veja quadro ao lado). Nos dois debates realizados na semana passada, utilizaram expressões como “desgastado”, “com vícios” e até “grande conchavo” para descrever o sistema eleitoral.

O principal defeito desse modelo é a composição do colégio eleitoral. Na avaliação dos candidatos, esse colégio não representa bem a comunidade universitária -professores, estudantes e funcionários.

O primeiro turno da eleição será realizado nesta terça-feira. O segundo turno, em 10 de novembro. O novo reitor terá sob sua responsabilidade, por quatro anos, uma instituição com mais de 86 mil alunos, 15 mil funcionários e quase 5.500 professores.

Participaram dos debates todos os oito candidatos declarados - Armando Corbani Ferraz, Francisco Miraglia, Glaucius Oliva, João Grandino Rodas, Ruy Altafim, Sonia Penin, Sylvio Sawaya e Wanderley Messias da Costa.

Os postulantes à cadeira hoje ocupada por Suely Vilela falaram sobre o orçamento da USP e sobre a recusa da universidade a participar do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp).

Votação

Na próxima terça, os 1.950 professores, alunos e funcionários com direito a voto vão às urnas para escolher o próximo reitor ou reitora da USP. Esse é o primeiro dos dois turnos da eleição. Nessa etapa, qualquer professor titular da USP pode ser votado, mesmo que não tenha se declarado candidato. Cada eleitor pode votar em até três nomes. O resultado do primeiro turno deve ser divulgado no final da noite da própria terça-feira.

Os oito professores mais bem colocados irão para o segundo turno, que está marcado para o dia 10 de novembro.

No primeiro turno, os eleitores terão das 9h às 13h para votar. Haverá urnas em todas as 40 unidades de ensino da USP, no Interior e na Capital.

Os votos serão apurados na Cidade Universitária, em São Paulo. Um esquema especial foi montado para que as urnas sejam transportadas com segurança do Interior para a Capital.

A lista com os nomes dos três mais votados será levada ao governador José Serra (PSDB), a quem caberá a palavra final. Os governadores normalmente selecionam o primeiro da lista.

A reitoria criou um site onde podem ser consultados os nomes de todos os eleitores (www.usp.br/eleicao2009).

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O que fala cada candidato

ARMANDO CORBANI (Pró-reitor)

Uma conversa mais séria com o Ministério da Educação pode separar algumas amarras (que impedem a participação da USP no Enade), condicionar modificações de indicadores e permitir que a universidade entre num processo de diagnóstico e melhore seus cursos.

FRANCISCO MIRAGLIA (da Matemática)

Em relação ao Enade, a deliberação da USP de não participar está correta. O que não significa que a gente não possa aperfeiçoar esses tipos de controle. Por outro lado, é preciso reconhecer que o profissional se torna competente é por meio do trabalho (e não apenas pelo estudo universitário).

GLAUCIUS OLIVA (da Física de São Carlos)

A USP não tem o direito de isentar-se de contribuir com a educação brasileira. Contribui participando do sistema nacional de avaliação. Um papel, interno, é corrigir rumos. Outro papel, externo, é dar exemplos de qualidade para o resto do país. O Enade tem defeitos, mas podem ser modificados.

JOÃO GRANDINO RODAS (do Direito)

A universidade precisa ter uma avaliação própria da sua graduação, feita de forma científica, mas não com o objetivo de negar a avaliação do Ministério da Educação (o Enade). A Universidade de São Paulo tem que participar de todas as avaliações (incluindo o Enade), embora possa criticá-las.

RUY ALTAFIM (Pró-reitor)

A USP não está atrelada ao Ministério da Educação (que aplica o Enade), mas ao Conselho Estadual de Educação. Temos nossas comissões de avaliação. Não significa que nós não iremos participar (do Enade). Já existe um certo entendimento dentro da USP para que possamos participar, mas antes é preciso aprimorá-lo.

SONIA PENIN (da Educação)

A Universidade de São Paulo não pode se avaliar apenas sozinha. Temos que ter parâmetros em nível nacional (e participar do Enade, que é aplicado nacionalmente). Mas é claro que não existe avaliação perfeita em lugar nenhum. Por isso, é preciso fazer críticas constantes aos sistemas de avaliação, discuti-los e trabalhá-los.

SYLVIO SAWAYA (da Arquitetura)

A avaliação (como o Enade) se faz por indicadores. E indicadores são elementos de um projeto (de educação) desejado. A minha impressão é que você não faz avaliação se você não tem projeto de educação. Essa é uma questão foi sonegada o tempo inteiro.

WANDERLEY MESSIAS (da Comunicação Social)

Tenho dificuldade para aceitar a USP no Enade. Trabalhei no MEC, e a merenda era centralizada. Demoramos para descobrir que a criança do Amazonas não gostava da merenda produzida em Curitiba. O Brasil é grande e diversificado. A avaliação também não pode ser centralizada.