09 de julho de 2026
Nacional

Polícia e traficantes voltam a trocar tiros


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Rio - Após o sábado violento, em que 12 pessoas morreram, um helicóptero da polícia foi abatido e pelo menos oito ônibus foram incendiados em vários pontos da zona norte do Rio, a Polícia Militar voltou a trocar tiros com traficantes na manhã de ontem.

Na Favela do Jacarezinho, onde agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) realiza uma operação para encontrar traficantes que participaram da tentativa de invasão dos pontos de venda de drogas no Morro dos Macacos, dois homens foram mortos ontem, em suposto confronto com os policiais. Segundo a Polícia Militar, a operação ainda está em andamento e não há um balanço de presos e armas apreendidas.

No Morro dos Macacos, em Vila Isabel, homens do 6.º Batalhão (Tijuca) também realizam uma operação, mas não houve troca de tiros. Os policiais vasculham a comunidade em busca de traficantes do Comando Vermelho (CV)que podem estar escondidos. A quadrilha local, da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA) também é alvo da operação. No acesso ao Morro São João, quatro homens suspeitos foram detidos num automóvel.

“Aos poucos”

A invasão de traficantes ao Morro dos Macacos foi feita “aos poucos”, diferentemente de outras ações do tipo, quando criminosos organizam “um bonde”, composto por várias pessoas. “A população reporta que eles, traficantes, entraram de maneira dissimulada, aos poucos, a pé, de um em um ou de dois em dois, no máximo”, informou o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, em entrevista concedida ontem. Ele reconhece que novos confrontos entre traficantes pelo controle da venda de drogas podem se repetir no Rio de Janeiro.

“Claro que a disputa entre traficantes pode acontecer novamente. Não se pode descartar, trabalhamos com todas as hipóteses. Isso historicamente aconteceu. Posso afirmar que a perda de território e o enfraquecimento de determinadas facções proporcionam isso”, afirmou.

Ele disse que o serviço de inteligência da polícia não consegue antecipar todas as investidas “desesperadas” do tráfico, embora “cerca de 80%” das ações criminosas sejam interceptadas.

Beltrame também revelou que entre as armas suspeitas de derrubar o helicóptero da Polícia Militar estão um fuzil 7.62, uma metralhadora ponto 30 ou uma metralhadora ponto 50. A aeronave foi utilizada no patrulhamento da área em conflito e abatida pelos bandidos, deixando dois policiais mortos e quatro feridos. As vítimas foram enterradas ontem.

Na madrugada de ontem, o coordenador da equipe técnica social do grupo AfroReggae, Evandro João da Silva, 42 anos, foi morto a tiros por assaltantes que o abordaram no centro do Rio. De acordo com o irmão de Evandro, o biomédico Elson Passos Senna, ele estava num carro com um amigo e tinha saído do veículo para urinar quando houve o assalto. Os criminosos teriam atirado em Evandro pelo fato de ele ter gritado por socorro.