Pesquisas nos últimos anos indicam que entre 80 e 90% dos licenciados – professores – ou não ingressam na carreira do magistério ou desistem em 4 a 5 anos de trabalho. Urge repensar e revolucionar a educação brasileira e tratá-la com seriedade e responsabilidade, máxima competência e prioridade absoluta em todo País, e não como simples boa intenção, muito menos como promessas eleitoreiras – crônico vício dos maus políticos.
Qual diagnóstico traçar das patologias que insidiosamente atacam tanto o ensino no País, quanto seus valorosos educadores. Vejamos abaixo, algumas de suas muitas mazelas:
- Os baixos salários, corroídos pela inflação e perdas acumuladas; más condições de trabalho, além de insalubridade e da insegurança: “a escola é local violento”, revelou pesquisa da Apeoesp (2003) e também que o professor está doente (ver pesquisa da UNB, 1999 e de outros institutos independentes ou órgãos de classe).
- As classes superlotadas, inúmeras com 40, 50, até 60 alunos, quando o modelo pedagógico e científico propõe máximo de 25 alunos por sala. Também as jornadas estafantes, com excessivo número de aulas: a OMS e OIT limitam em 4 aulas/dia, o trabalho do professor com alunos, sem contar o seu trabalho pedagógico (HTPC) na escola e em casa, além de cursos que faz e da educação continuada.
- Há mestres que, para sobreviver com dois salários mínimos (piso), acumulam cargos e funções, dobram e até triplicam suas atividades, sem contar tempo para a família. O pior: lecionam para muitos alunos-problemas, com distúrbios de aprendizagem ou de comportamento (ou mais graves). Precisam, os professores, cumprir planejamentos, metas, ainda atender a burocracia e ensinar para alunos deseducados e também descompromissados, porque aprovados, mesmo sem estudar e com baixo aproveitamento, pela progressão continuada, implantada de maneira incompleta por minoria de governos estaduais, tendo alguns retornado ao modelo anterior, felizmente.
- O não incentivo/cobrança dos pais (muitos transferem essa tarefa para a escola). Quanto aos filhos, deseducados, às voltas com o ócio, rua, TV, internet, vão às escolas sem cumprirem seus deveres de casa, além de desrespeitarem seus professores, intimidá-los, ameaçá-los e até agredi-los (ver notícias da grande imprensa).
- Inexistência de plano de carreira, conforme manda a Constituição Federal, art. 205 combinado com o 206 e como prevê a lei estadual 444/85 que institui o Estatuto do Magistério Paulista, não observados pelo governo do Estado e maioria dos Estados brasileiros; e de Plano de Prevenção de Doenças Ocupacionais (disfonias, Burnout, LER, Dort, distresse e inúmeros outros males físicos, emocionais e/ou psicológicos. Ver lei federal de 1976 que cria Cipa nos órgãos públicos e lei estadual aprovada pela Alesp recentemente; idem). A despeito de tudo isso, nosso pleno reconhecimento e gratidão aos queridos mestres. Parabéns no mês dos professores e das nossas crianças (alunos), por seu desprendimento, renúncia, abnegação, competência e altruísmo.
Rubens Colacino