A compra da estação ferroviária também gerou desentendimento entre representantes do G7, Chiara Ranieri (DEM), Marcelo Borges (PSDB) e Amarildo de Oliveira (PPS), e integrantes da base do governo, sendo Roque Ferreira (PT) e Renato Purini (PMDB).
O imbróglio teve início quando o tucano Marcelo Borges criticou os R$ 6,3 milhões cobrados pelo Sindicato dos Ferroviários pelo prédio da estação ferroviária. “Há três anos, esse prédio custava a metade do preço. Quero ver o laudo de avaliação do imóvel. O preço está caro demais. Temos que avaliar tudo isso, porque a conta quem vai pagar vai ser a população”, lançou o tucano.
Roque Ferreira (PT), que também é integrante do Sindicato dos Ferroviários, rebateu o colega e afirmou que “algumas pessoas de fato andam de maneira ereta, mas os olhos continuam pregados no chão. Não conseguem enxergar que dos 4,7 mil ferroviários envolvidos nesta ação, 3.150 residem na cidade de Bauru. Nenhum ferroviário irá receber milhões, mas os recursos que receberão serão gastos na cidade”, contra-atacou.
Ao finalizar sua exposição, o petista ainda cutucou a posição da oposição. “O pior cego é aquele que não quer enxergar. Que tem visão sectária, que só enxerga o mundo em preto em branco, para dizer em linguagem popular, é um burro com viseira. Ser oposição tem que ser oposição de conceito. Tem que ser oposição com intenções maiores. E não fazer de situações concretas, instrumento da velha política, da podre política. A política deve ser feita de outra forma”, disse.
Amarildo de Oliveira (PPS) pediu que Roque citasse nomes, pois não poderia aceitar que o colocasse neste exemplo de burro e cobrou respeito. Sem paciência, o parlamentar rebateu: “É só pedir uma cópia da sessão da Câmara que você vai entender o que eu estou falando. E continuo afirmando, fazer oposição, que não seja oposição de conceito, é sectário, que enxerga branco e preto, e quando para num mata-burro não o ultrapassa”. Oliveira saiu em defesa do colega de G7 e afirmou na tribuna que o tucano tem direito ao contraditório, e ainda que a oposição exerce papel de respeito.
Novo round
Quando tudo parecia terminado, a demista Chiara Ranieri subia na tribuna e voltou ao assunto. “Dizer que a oposição olha para baixo, é um equívoco. Pelo contrário, nós olhamos para cima. E temos dois viadutos ali, naquela região, que não permite que nós olhemos para baixo. (Mauá e o viaduto inacabado). Então não podemos dizer que quando a oposição diverge da opinião ela é burra ou olha para baixo.”
Novamente, Roque pediu aparte e explicou à vereadora que o burro do caso referia-se a uma metáfora. “E que quando a gente trabalha com metáforas, muita gente não entende. É uma figura de linguagem, é um recurso de natureza semântica. Isso não é uma ofensa pessoal, isso faz parte do parlamento.”
Chiara insistiu no assunto e afirmou que a emoção havia levado os vereadores a tomar a decisão pela compra da estação. “Só espero que seja uma obra concluída. Quando o vereador Renato Purini disse que a decisão de comprar o prédio foi política, vejo que foi mesmo. Não vai resolver o problema da prefeitura, vai resolver o problema da estação. Tenho presenciado a emoção de todos que usam a tribuna para falar. Mexe com o sentimento de todos.”
Pastor Luiz, que até então não havia entrado no embate, defendeu-se: “Eu não usei a emoção para adquirir o imóvel.” Já Purini, citado pela demista, pediu aparte também. “Não vou entrar no mérito se comporta ou não, porque vossa excelência (Chiara) foi convidada para visitar o prédio e não foi. Mas a decisão não deixa de ser política. Para quem não se deu conta ainda, nós temos aqui 16 vereadores que são políticos. A emenda que fizemos não foi feita por técnicos, mas por políticos. Então, não deixa de ser também uma decisão política e não é demérito nenhum ser político”.
Depois de todo bate-boca, a cena terminou com a leitura de poema de Bertold Brecht (Elogio ao revolucionario) por Roque.