10 de julho de 2026
Polícia

Lotéricas são alvo de assalto por telefone

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 3 min

Em menos de meia hora, quatro casas lotéricas de Bauru foram alvo de assaltantes. Mas, ao invés de pessoas encapuzadas e armadas invadirem os estabelecimentos, os ladrões “apareceram” pelo telefone. A mesma história foi contata em todos os locais. Uma das vítimas caiu no golpe e depositou R$ 500,00 em uma conta bancária indicada pelo assaltante.

Por volta das 12h, a funcionária de uma casa lotérica localizada dentro de uma rede de hipermercado, Cristiane de Oliveira, atendeu o telefone e foi questionada sobre depósitos. “Ele perguntou se o depósito feito na Caixa Econômica Federal era compensado na mesma hora, mesmo com a greve. Eu disse que sim. Neste instante, ele pediu para que eu não tirasse o telefone da orelha e anunciou o assalto. Contou que havia um moço na fila que era seu filho e outras três pessoas armadas olhando para mim”, conta Cristiane. “Ele disse alguns palavrões e que iria me passar três contas bancárias. Pediu para que eu depositasse R$ 500,00 em cada uma delas”, acrescenta.

A funcionária conseguiu avisar a amiga de trabalho sobre o assalto. Em seguida, a companheira acionou os seguranças do hipermercado. “Achamos que realmente era verdade, pois no momento que eu tirei o telefone do ouvido para contar para a minha amiga, ele disse que tinha visto e avisado que não era para eu fazer isso”, revela Cristiane. “Não sei o porquê, mas ele não passou as contas e desligou o telefone. Neste momento, havia muita gente na lotérica e os seguranças acionaram a polícia”, complementa.

Como não há identificador de chamada no aparelho de telefone do estabelecimento, não foi possível ver o número de onde partiu o golpe. Já uma outra casa lotérica, na quadra 9 da avenida Rodrigues Alves, não teve a mesma sorte. Um funcionário do local atendeu ao telefonema do golpe.

“Eles disseram que haviam pessoas observando a gente e uma outra pessoa na fila. Nos ameaçou e falou que se alguma coisa fosse feita, eles atiravam”, conta o proprietário do estabelecimento, que por cautela pediu para não ter o nome divulgado. Por medo, a lotérica realizou o depósito de R$ 500,00 em uma conta bancária passada pelo assaltante.

Também por volta das 12h, uma casa lotérica na quadra 6 da rua 1º de Agosto também foi alvo do golpe. A gerente do local, Maria Cecília dos Santos, conta que uma funcionária grávida foi quem atendeu. “Como ficou nervosa, ela passou mal”, revela.

No local, a mesma história foi contada, mas os assaltantes também não tiveram êxito na tentativa de golpe. Uma outra lotérica, que funciona no mesmo prédio de uma rede de supermercados, também foi alvo dos assaltantes, mas não depositou nenhum dinheiro.

Segundo o delegado do 3º Distrito Policial, Marcelo Haddad, as pessoas precisam ficar atentas. Devido à divulgação, o índice de golpes de seqüestros pelo telefone ou golpes do bilhete, por exemplo, tiveram queda. “As pessoas estão mais atentas e não está havendo prejuízo para as vítimas. Muito disso atribuímos à divulgação”, afirma.

Haddad orienta a população sempre desconfiar de pessoas desconhecidas que se aproximam oferecendo qualquer tipo de vantagem econômica ou recompensa. “É preciso ter em mente que dinheiro não é fácil, ninguém sai dando dinheiro para ninguém. Sempre desconfiar do preço oferecido, se estiver fora dos padrões”, explica.

Geralmente, os golpes por telefone são feitos por presidiários ou por ladrões de outros Estados. “Também era comum o golpe da venda de veículos. Oferecidos por preços menores, as pessoas precisam depositar uma entrada antes de receber o produto. Muito cuidado, nestes casos, existem contas abertas de forma fraudulenta para receber e sacar o dinheiro”, acrescenta o delegado.

Uma outra dica dos policiais é para quem precisa de ajuda para fazer qualquer tipo de transação bancária. É necessário procurar um funcionário identificado dentro da agência. “Caso seja abordado por alguém com comportamento suspeito, acione a polícia”, finaliza Haddad.