09 de julho de 2026
Geral

Robô estimula jovens pesquisadores

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 3 min

Ele dançou “Thriller” como Michael Jackson, imitou o Darth Vader, personagem do filme Star Wars, e até riu quando fizeram cócegas em seu pé. Foi assim que o robô humanóide francês NAO conquistou a platéia de estudantes que lotou um dos anfiteatros da Universidade Estadual Paulista (Unesp), na tarde de ontem, e fez muito deles pensarem em desenvolver projetos na área de robótica. Wesley Ângelo de Souza, aluno do mestrado da Faculdade de Engenharia da Unesp na área de automação, já pesquisa sobre robôs e viu a apresentação de NAO como uma chance de aprimorar seus estudos.

“A robótica agrega diversos campos: a computação, a mecânica e a eletrônica. Essa coisa do homem tentando fazer um ser que possa ter inteligência própria instiga a pesquisa. Através da tecnologia do NAO a gente tenta seguir os estudos. Ver o que está sendo feito e aprimorar, lapidar a idéia”, comenta.

A visita de ontem foi a segunda do robô à Unesp de Bauru e alguns alunos que já haviam assistido a primeira apresentação quiseram repetir a dose. Esse é o caso de Danilo Araujo de Godoi, que está no 3º ano de engenharia elétrica e trabalha no projeto de futebol de robôs desenvolvido na universidade.

“Eu decidi vir porque queria ver as inovações que foram feitas no robô. O reconhecimento facial, por exemplo, não tinha da outra vez. Acho que é uma oportunidade da gente ver o que de mais top está sendo feito no mundo”, avalia.

Realmente o robô utiliza tecnologia de ponta. NAO é equipado com duas câmeras de vídeo, sistema de reconhecimento de voz e diversos outros sensores, incluindo um sonar, que permitem que ele compreenda o ambiente ao seu redor com precisão. Ele ainda possui infravermelho e Wi-Fi, que fazem com que ele se comunique facilmente com outros aparelhos eletrônicos, articulações que lhe dão movimento e mãos capazes de segurar objetos. Cada exemplar da pequena máquina custa, para pesquisadores, 12 mil euros, o que equivale a R$ 30.692,73.

]Gustavo de Grava Chermont, aluno do 3º ano de engenharia elétrica, aprovou a apresentação. “Esse tipo de tecnologia não é apresentado com freqüência na Unesp. Então é chance de ver na prática tudo que a gente estuda no curso. Eu pesquisava robótica e parei. Pretendo voltar e desenvolver algo parecido algum dia”, diz.

Para Romain Daros, representante da Aldebaran Robotics, empresa fabricante do robô, a recepção do público é sempre positiva. “Sempre que falo com as pessoas sobre robôs elas pensam que é coisa para daqui a 20 anos e não agora. Quando mostro o NAO, elas ficam surpresas e em geral gostam da aparência, acham bonitinho”, relata.

Embora o projeto seja de ponta, Daros explica que ainda faltam alguns ajustes para que ele possa ser comercializado. O próximo passo no desenvolvimento do robô será melhorar seu design escondendo os parafusos, uniformizando as cores, dentre outras alterações. “Parecem detalhes, mas é muito trabalho. Vamos precisar de cerca de um ano para fazer isso. Também temos que conseguir todas as certificações antes de poder colocá-lo no mercado”, afirma.

Marcelo Franchin, professor da Faculdade de Engenharia (FE) da Unesp e organizador do evento, afirma que a visita foi muito produtiva e, com certeza, despertará o interesse para pesquisa em robótica. “Na faculdade nós desenvolvemos pesquisa, mas os alunos não são obrigados a participar. Uma palestra deste tipo motiva. Eles vêem como é bacana esse tipo de projeto. Então, estimula o aluno a além de estudar, fazer pesquisa na área”, diz.

Os interessados em saber um pouco mais sobre o NAO podem acessar o site www.al debaranrobotics.com. Quem quiser saber mais sobre robótica e conhecer um projeto de robô humanóide desenvolvido pela Unesp em parceria com outras universidades brasileiras deve acessar o site www.theopen robotproject.org. Ambos os sites estão em inglês.