Um dia após o anúncio de Vítor Hugo sobre o dossiê contendo provas de supostas irregularidades na administração do Noroeste, a notícia repercutiu e alarmou os torcedores alvirrubros, que pedem apuração das denúncias e temem pelo futuro do clube. Vitão promete divulgar em breve o dossiê e deve mostrar as provas que reuniu em um curto período de sua passagem como dirigente alvirrubro em uma entrevista coletiva à imprensa. No entanto, não definiu uma data para a apresentação dos documentos. De acordo com o ex-diretor, o presidente Damião Garcia está de posse de uma cópia do dossiê desde a sexta-feira passada. A entrega dos documentos e a elaboração do dossiê teriam sido o que motivou a demissão de Vítor Hugo do clube.
“A gente queria entender o que está acontecendo. Se o seo Damião entende que os documentos não têm validade? A gente quer saber qual é o fundamento desta posição que o seo Damião tomou, demitindo o Vítor Hugo e quer que o Vítor Hugo venha a público, já que ele tem provas. Pode ter certeza que o torcedor noroestino e o bauruense em geral, vai estar dando apoio para o Vítor com documentos que provam. Se ele tem esta documentação, é a hora de colocar na mesa”, afirma José Roberto Pavanello, presidente da Sangue Rubro, principal organizada do Noroeste.
Pavanello diz que não acredita que o ex-diretor esteja blefando. “Eu acredito que não é ‘balão de ensaio’. Ele (Vítor Hugo) não vai colocar o nome dele, uma história que ele tem dentro do clube como jogador, técnico. Ele mora em Bauru, a esposa é de Bauru, as filhas são de Bauru. Ele tem uma história. Ele estava lá dentro e teve acesso aos documentos. Ele está com provas e, se apresentar, a gente vai estar ao lado dele e vai brigar até o final. A gente quer o que a cidade quer, do mais simples ao mais abastado: que as coisas clareiem dentro do clube”, comenta.
O presidente da Sangue Rubro só não admite inércia após as denúncias. “Se a gente tivesse documentos, já teríamos tomado providência há muito tempo. Não sou conivente e não tenho vínculo com ninguém. Tenho vínculo com a minha cidade, com meu clube. Estamos preocupados e queremos uma satisfação, que as coisas venham a público e sejam passadas a limpo”, exige. Pavanello reclama ainda que sofre cobranças na rua. “A gente acaba sendo uma referência. Desde que as coisas estouraram, estou sendo parado nas ruas, as pessoas perguntando. Você tem que ficar dando explicação. É duro. Eles acham que a gente sabe dos bastidores. E as pessoas acham que a gente é conivente com isso”, lamenta.
Pavanello alerta ainda que o episódio mancha o nome do Noroeste e compromete um processo de sucessão na presidência. “Ele (Damião) falou que o mandato dele termina em fevereiro, mas se houvesse alguém que quisesse assumir ele abriria mão. Mas e agora, quem assumiria estourando um escândalo desses?”, questiona. “É preocupante. Mas tem que ser passado a limpo. As coisas não podem ficar no meio do caminho. Se ele (Damião) achar que as coisas foram contrárias à imagem dele, que saia. Alguém de Bauru, algum grupo, os beneméritos, os abnegados têm que pegar. O time não vai ficar jogado ao léu. Se ele tiver alguma coisa a receber, que se faça um acordo com ele e pague mais para frente. Não pode é parar. Se pára, não disputa nada no ano que vem e o time se licencia, você já sabe para voltar como é que é. É complicado e aí pode fechar as portas e acabou. O torcedor está sofrendo”, constata.