A Igreja Católica vai se unir ao Ministério da Saúde para fazer uma campanha pelo diagnóstico precoce da aids. Diferente das iniciativas de prevenção focadas no uso do preservativo, que não têm o apoio da igreja, a parceria visa alertar sobre a doença e incentivar os fiéis a fazerem o teste que detecta o vírus HIV.
Hoje, o Ministério e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) assinam o acordo, considerado histórico, em Brasília. A solenidade marca o início da divulgação e contará com a presença do ministro da Saúde, Josi Gomes Temporão, e do presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, dom Geraldo Lyrio.
Segundo o padre Luiz Antônio Lopes Ricci, pároco da Igreja São Cristovão e vigário geral da Diocese de Bauru, a igreja é a favor da iniciativa porque ela defende a vida e evita a transmissão da doença. “Geralmente, a religião não entra em campanhas de prevenção porque quase todas implicam no uso de preservativos. Neste caso, o teste está ligado aos cuidados do paciente, incentiva o doente a buscar tratamento”, revela. “Hoje, o Brasil é referência na questão de oferecer medicamentos para aids. Com a descoberta precoce, o fiel terá uma melhor qualidade de vida, tomará todas as precauções e vai respeitar a vida dos semelhantes”, acrescenta Ricci.
O vigário geral explica que, apesar de firmar parceria com o ministério, a igreja não está de acordo com o uso de contraceptivos. A religião católica trabalha a formação da consciência, foca a educação e a sexualidade sadia. “Claro que não de forma repressora. Educamos para o exercício como ato de amor. Trabalhamos na orientação dos jovens de que é preciso esperar, respeitar a castidade. Além disso, a aids está ligada a outras questões éticas e morais. Muitas mulheres são infectadas pelos maridos, então, atuamos na questão da fidelidade”, afirma.
Em caso de testes positivos, a igreja não vai incentivar o uso da camisinha, mas sim propor a castidade. “As pessoas precisam respeitar a própria vida e a vida do outro. Não vamos ferir a nossa doutrina, vamos defender a castidade, que é a proposta da igreja”, explica Ricci. “Defendemos a vida. Se isso vem para ajudar no cuidado com os pacientes e evitar a transmissão da doença, estamos de acordo. Hoje, precisamos de parcerias, não dá para trabalhar sozinho. A campanha não vai simplesmente partir para o uso da camisinha, ela tem um enfoque diferenciado. Por meio dos exames é possível, inclusive, evitar a transmissão da doença de mãe para filho”, finaliza o pároco.
Apesar do lançamento da campanha, ainda não foi definido como ela deve ocorrer na cidade.