11 de julho de 2026
Internacional

Honduras: Brasil acusa golpistas de ‘tortura’

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Tegucigalpa - O governo brasileiro acusou o regime golpista hondurenho de praticar tortura contra as pessoas que estão há um mês na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, entre elas o presidente deposto, Manuel Zelaya. A denúncia foi feita pelo embaixador à Organização dos Estados Americanos (OEA), Ruy Casaes, durante reunião do Conselho Permanente, na manhã de ontem, em Washington.

Segundo o diplomata, os ocupantes da embaixada sofrem assédio “desumano e irracional”, em “flagrante violação das normas internacionais que cuidam da promoção e proteção dos direitos humanos”, e o regime de Roberto Micheletti vem “progressivamente sofisticando suas técnicas de tortura”. Entre elas estariam o que chamou de “novas modalidades de tortura psíquica”.

O brasileiro amparou sua denúncia apresentando uma lista do assédio promovido pelos golpistas, da qual constam a colocação de holofotes permanentemente apontados para a casa e a produção de ruídos com o propósito de atrapalhar o sono dos ocupantes; policiais postados em plataformas que miram a casa com fuzis e vigiam o movimento do interior; restrição de entrada de alimentos, que são cheirados por cachorros e expostos ao sol por horas; e falha na coleta de lixo.

Disse ainda haver indícios inequívocos da presença de bloqueadores de celular, assim como grampo nos telefones fixos e abuso nas revistas das pessoas que entram na embaixada, incluindo o encarregado de negócios do Brasil, Lineu Pupo de Paula. Ontem, e-mail deste a Casaes relata o que chama de pior noite dos 30 dias em que Zelaya se encontra na representação brasileira.

OEA pede esforço

A OEA (Organização dos Estados Americanos) pediu ontem um esforço para superar o impasse no diálogo, em Honduras, mas os Estados Unidos e outros países membros endureceram o tom, pedindo que o governo interino demonstre maior compromisso evite manobras para retardar uma solução.

“Há um processo de estagnação nas negociações e é necessário esforço para levá-lo adiante”, disse o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, durante uma reunião do Conselho Permanente da organização em Washington, onde foi discutida a crise política em Honduras.

“Ninguém está disposto a romper (o diálogo) e nós (da OEA) não estamos dispostos a deixá-lo”, disse Insulza, que, no entanto, manifestou preocupação com os obstáculos enfrentados pela negociação.

EUA já pensam na dispensa de Zelaya

Após novo impasse e paralisação nas negociações, os Estados Unidos já cogitam a possibilidade de rever sua posição e aceitar o resultado das eleições presidenciais hondurenhas de 29 novembro, mesmo se o presidente deposto Manuel Zelaya não tiver sido reconduzido ao cargo.