Tegucigalpa - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, rejeitou ontem mais uma proposta feita pelo governo interino de Roberto Micheletti em torno de sua restituição ao cargo.
O novo plano, classificado de “indecoroso” por Zelaya, prevê que cada um dos lados consulte o Poder que deseje para avaliar um eventual acordo. Desde a sexta-feira, o impasse nas mesas de negociação está em torno de que Poder seria o responsável por ratificar ou rechaçar a volta de Zelaya. O presidente deposto quer que seja o Legislativo, enquanto Micheletti prefere o Judiciário.
A proposta de ontem não estabelece o que aconteceria se Judiciário e Legislativo tivessem respostas distintas à restituição.
Zelaya completa 33 dias abrigado na embaixada brasileira. Já a mesa de negociações foi instalada há 15 dias.
Ontem, após a Organização dos Estados Americanos condenar o assédio à embaixada, a representação diplomática teve uma madrugada tranquila, depois de cinco noites seguidas de barulho feito pelo cerco policial-militar que mantém o prédio isolado do resto da cidade.
Lobby nos EUA por eleição
Autoridades eleitorais de Honduras insistiram ontem, durante visita a Washington, que o país poderá realizar eleições pacíficas e legítimas em meio à crise política, mesmo com o presidente eleito do país abrigado na Embaixada do Brasil.
Os três membros do Superior Tribunal Eleitoral, que foram aos Estados Unidos defender a neutralidade das eleições marcadas para 29 de novembro, disseram que a urna é o melhor caminho para resolver a crise causada pela destituição de Manuel Zelaya, há quase quatro meses.
Mas os EUA, a União Européia e os governos latino-americanos condenaram o que consideraram um golpe de Estado e exigem que Zelaya volte à Presidência para concluir seu mandato, que se encerra em janeiro de 2010.
Hillary pressionada
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, visitou ontem o Congresso dos EUA para pedir à bancada republicana que aprove as indicações do secretário-assistente para o Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon, para a Embaixada do Brasil, e de seu sucessor, Arturo Valenzuela. Ambos estão bloqueados pelo senador conservador Jim DeMint, da Carolina do Sul, que discorda da abordagem do conflito em Honduras pela Casa Branca.
Ainda assim, DeMint voltou a dizer hoje que não retirará o bloqueio aos nomes de Shannon e Valenzuela, que ele mantém desde julho, enquanto o governo Obama não disser que aceitará o resultado das eleições presidenciais hondurenhas, mesmo se o presidente deposto Manuel Zelaya não voltar ao poder.