09 de julho de 2026
Articulistas

Rotina renovável

Luiz Alberto Coradi
| Tempo de leitura: 2 min

A produção agropecuária está muito mais presente no nosso dia-a-dia do que supõe a maioria das pessoas. Numa seqüência de nossa rotina diária, por exemplo, podemos constatar a participação quase onipresente dos produtos originários da exploração agrícola ou pecuária. Ao acordarmos, já estamos deitados sobre vários deles: a madeira da cama e o algodão dos lençóis, travesseiros e colchões. Colocamos a roupa e lá está ele, novamente, presente nas mais confortáveis. Os sapatos e os cintos preferidos já pastaram por belas paisagens.

O café da manhã, do mais simples ao mais farto, é rural por excelência, à exceção dos adoçantes e conservantes sintéticos presentes nos alimentos industrializados. Ao sair para o trabalho, deixamos para trás nosso abrigo, recheado de produtos do campo: alimentos, madeira, couro e fibras naturais em suas mais diversas aplicações, além de plantas ornamentais, medicinais e condimentares das mais variadas espécies. O carro que nos conduz ao trabalho é movido a álcool, outro representante notável da produção agropecuária. No trabalho, não obstante o avanço da comunicação virtual, o papel ainda é fundamental, seja como veículo de informações, seja como instrumento de trabalho. E vamos ao cafezinho, com ou sem açúcar, que ninguém é de ferro. No almoço, já é covardia: tudo vem da roça, direta ou indiretamente, para matar a fome do dia-a-dia ou iniciar o regime na segunda-feira. Depois do trabalho, o happy-hour no boteco da moda ou a saideira no “último gole” não dispensam as cervejinhas e os destilados, além dos acompanhamentos de praxe, todos oriundos da mãe-terra, com a ajuda de alguns microbiozinhos do bem e de impecáveis complexos agroindustriais. Ao chegar em casa, um chazinho de boldo para combater os efeitos daquela azeitona que não caiu bem, e abrir espaço para o jantar. O café, a sobremesa e o leitinho antes de deitar também não podem faltar. E se nada mais houver a tratar, problemas a resolver ou relações a discutir, mergulhados nos lençóis, vamos todos adormecer. Para amanhã tudo recomeçar. Se o homem do campo deixar!

O autor, Luiz Alberto Coradi, é engenheiro agrônomo