Uma menina, de 8 anos, agrediu o primo de 12 com uma faca após uma discussão por volta das 16h30 de ontem, no Jardim Marise, em Bauru. O menino foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado ao Pronto-Socorro do Jardim Bela Vista, onde atualmente funciona o Pronto-Atendimento Infantil. Depois de fazer curativo no local do corte, a vítima faria um exame de raio X para averiguar a profundidade do corte.
Segundo o próprio menino, ele, a irmã e outra primas brincavam na rua da casa onde moram quando a menina se juntou ao grupo e teria começado uma discussão sem motivo. “Ela veio da casa dela e começou a xingar a minha mãe. Aí a gente começou a brigar. Ela veio e me deu uma facada. Não sei porquê ela fez isso”, conta a vítima.
De acordo com o pai do menino, a criança usou uma faca de cozinha para agredir o primo na altura da costela no lado esquerdo do corpo. “Era uma faquinha de cozinha, daquelas com cabo de madeira. Foi só uma pontinha que entrou”, diz.
Depois da agressão o menino foi correndo para casa, de onde sua mãe acionou o Samu, que o levou até o PS da Bela Vista. A menina de 8 anos também voltou para casa de seus pais. Apesar do susto, segundo o pai, o garoto estava bem e deveria ter alta ainda na noite de ontem. “Ele está bem, vai só fazer o raio X e acho que ele vai ser liberado para ir para casa”, disse.
Policiais militares foram informados do acontecido pela assistente social do PS e, após falar com o pai da vítima, registrariam a ocorrência no Plantão Policial. O pai do menino afirmou que não pretende registrar boletim de ocorrência sobre a situação. “Não (vou prestar queixa), Ave Maria. Às vezes foi sem querer. Eles são primos. Isso é coisa de criança. Tem que olhar, né? Se fica na rua, acaba nisso”, afirma. Os nomes das crianças e de seus pais estão sendo omitidos em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Violência infantil
No dia 14 de outubro, uma menina de 11 anos foi acusada de matar a facadas sua amiga de 6 anos em Assis (180 quilômetros de Bauru). Na última quarta-feira, a menor confessou à polícia em depoimento, acompanhado por membros do Conselho Tutelar e um médico psiquiatra, que o crime não foi acidental e que, há algum tempo, sua intenção era matar a amiga com um facão e depois jogá-la em um bueiro.
O motivo alegado pela menina à polícia para justificar as facadas dadas na colega teria sido ciúmes, segundo o delegado Ivan Ramos Nogueira Junior, que atua na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da cidade Além disso, ela contou que estava irritada porque a colega vivia lhe xingando. A única preocupação demonstrada pela menina durante o depoimento era de que não poderia mais ir à escola e à igreja. Avaliação feita pelo médico psiquiatra indicou que a criança tem consciência de seus atos.
No dia do crime, a garota deu versão diferente à polícia dizendo que estava comendo acerola em um terreno baldio no Jardim Três Américas com a colega de 6 anos, quando ela caiu sobre a faca que usavam para descascar a fruta. Ao ver a amiga ferida, a menina de 11 anos disse que deu uma segunda facada nela porque teve medo de contar para a família o que havia acontecido.