A novela envolvendo o dossiê contendo supostas provas de irregularidades na administração do Noroeste ganhou novos capítulos ontem. Torcedores noroestinos, residentes em São Paulo, ameaçam acionar o Ministério Público Estadual e Federal para fazer virem à tona as denúncias que o dossiê elaborado pelo ex-diretor de futebol do Noroeste, Vítor Hugo, apontariam. Em outro episódio do dia, o também torcedor Bruno Lopes acusou o presidente do Conselho Deliberativo, Abel Abreu, de ter se recusado a receber o dossiê. Abreu rechaçou a acusação.
Os torcedores Álvaro Pedroso, Almyr Basílio e Nelson Brandino postaram mensagem no mural do site da torcida organizada Sangue Rubro (www.sanguerubro.com.br) garantindo que, se o dossiê não for divulgado ao público, recorrerão às duas instâncias do Ministério Público ingressando com uma representação solicitando instauração de procedimento de investigação sobre o caso. O Jornal da Cidade tentou entrar em contato com os torcedores através de ligação telefônica, mas não conseguiu localizá-los.
José Roberto Pavanello, presidente da Sangue Rubro, à qual Basílio e Brandino são filiados, garante a seriedade da iniciativa. “São todos bauruenses que moram em São Paulo. O Almyr Basílio é advogado e tem escritório em São Paulo. Eles acompanham o Noroeste, estão antenados e têm credibilidade para falar. Com certeza, não estão perdendo o tempo deles. Se não for apurado nada...”, comenta.
Também ontem, o torcedor Bruno Lopes informou ao Jornal da Cidade que o presidente do Conselho Deliberativo, Abel Abreu, teria se recusado a receber o dossiê com as supostas provas das alegadas irregularidades na administração alvirrubra. Contatado pela reportagem, Abreu revela que recebeu uma ligação da esposa de Vítor Hugo questionando se ela poderia lhe entregar os documentos. Abreu reitera que receberá as denúncias, desde que sejam entregues pelo próprio Vítor Hugo, que, segundo o JC apurou, estaria fora de Bauru. O JC tenta contato, sem sucesso, há três dias com o ex-dirigente noroestino, que não atende e nem retorna as ligações feitas pela reportagem.
“Continuo aberto ao Vítor Hugo, que é o envolvido na história, que é o denunciante, para que ele me entregue as denúncias que ele tiver que me entregar, desde que devidamente formalizadas e assinadas. Terceiras pessoas que tenham outra acusação devem fazer o mesmo: assiná-las, identificando-se”, explica. “Estamos mantendo a serenidade em torno destes acontecimentos e não aceito provocações. Mas receberei, sim, as denúncias devidamente formalizadas. Sobre o assunto, não vou mais responder, minha palavra é única. Vou ver o que tenho que fazer e farei”, garante Abel Abreu.
“As coisas estão se precipitando e não posso tomar decisão sem as provas na mão e nem divulgar possíveis culpabilidades para não prejudicar os possíveis envolvidos. Os autores (das especuladas irregularidades) receberão os devidos procedimentos que o caso vier a exigir”, conclui o presidente do Conselho Deliberativo.