O professor universitário Nelson Pimenta é surdo, filho de mãe ensurdecida, irmão de surdos e neto de surdo. “Ou seja, sou surdo pelo menos até a terceira geração, surdo de verdade”, explica. Não é oralizado e garante que nunca desejou ser.
Nelson mora no Rio de Janeiro e é proprietário de uma editora especializada em material didático-pedagógico em língua de sinais. É ator profissional formado nos Estados Unidos e tem curso superior em cinema. Atualmente, faz faculdade de letras com especialização em língua brasileira de sinais (libras).
“Acho que sou um cara bem sucedido, sou feliz com meu trabalho e nunca - nunca! - falei. Isso prova, na prática, que ao contrário do que a maioria pensa, a fala não é essencial para que os surdos possam viver bem”, acredita.
Nelson diz gostar de ser surdo. Ele atribui essa identidade ao fato de nunca ter sido tratado pela família como “um ouvinte com defeito”. “Quando cresci e vi que poderia ser treinado para falar, optei por manter minha mudez e me expressar somente em minha língua natural, a libras”, afirma.
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Deficientes?
Para a comunidade surda, o fato de um sujeito não ouvir não significa que ele seja deficiente. O instrutor de língua brasileira de sinais (libras) Valdecir Henrique Santana, 41 anos, acredita que a surdez é algo normal.
Para ele, um surdo só poderia ser considerado deficiente se, por exemplo, sofresse um acidente e viesse a perder os movimentos das pernas. Ou então, se passasse a apresentar sérios problemas de visão.
Os educadores do Núcleo Integrado de Reabilitação e Habilitação (Nirh) do Centrinho já tentaram trabalhar a questão da deficiência com os alunos, em sala.
Nessas ocasiões, os estudantes costumam fazer menção a situações como a perda de visão ou dos movimentos nos membros, mas jamais aos problemas auditivos.