Embora reconheçam a importância de os surdos se afirmarem enquanto sujeitos a partir da língua de sinais, os especialistas alertam para os perigos daquilo que definem como radicalismo.
“Nos adultos, a surdez é um elemento cultural. O indivíduo nasceu assim, quer continuar assim e não há muitos meios de mudar essa situação. As coisas se tornam diferentes quando uma criança nasce com perda de audição. Nesses casos, defendo que ela passe pelo implante coclear, para que tenha condições de ouvir. Mais tarde, se quiser aprender a língua de sinais, não haverá problema algum”, pensa a coordenadora do Núcleo Integrado de Reabilitação e Habilitação (Nirh) do Centrinho, Maria José Monteiro Benjamin Buffa.
A pedagoga Maria Elizabete Lima Neuenfeld acredita que muitos surdos entendem a tecnologia do implante como uma espécie de assassinato da própria cultura, baseada na língua de sinais.
“Apesar de não ouvirem nem falarem, os surdos encontraram meios de desenvolver a própria subjetividade. Isso não quer dizer que eles não devam aprender a língua dominante, para poderem se inserir na sociedade”, pensa.
A também pedagoga Valderes Elena Rodrigues lembra que, por muito tempo, a língua dos gestos foi deixada de fora do processo de aprendizado dos surdos. “Eles até a utilizavam, só que fora da escola. Dentro de sala de aula, eram impedidos de se expressar por sinais”, explica.
De acordo com ela, hoje, quando gozam de ampla liberdade para se comunicarem da forma como bem entenderem, os surdos correm o risco de cair em um outro extremo. “Eles enxergam o implante como um tipo de repressão - uma tentativa da sociedade de impedir que seus iguais utilizem a língua de sinais”, diz Rodrigues.