Washington - Depois de admitir a farsa, a mãe do menino de 6 anos que se acreditava ter sido levado por um balão desgovernado nos EUA, mas que depois foi encontrado escondido dentro de uma caixa no sótão da casa, informou às autoridades que o gigante balão de hélio foi especificamente criado para o trote, cujo intuito era chamar a atenção da mídia.
As informações foram dadas pelo site da rede de televisão norte-americana CNN ontem, baseadas em documentos das investigações policiais. Mayumi Heene disse aos investigadores do Distrito de Larimer que ela e seu marido, Richard Heene, sabiam que o filho Falcon estava escondido na casa em Fort Collins o tempo todo, enquanto a polícia e o Exército estavam à procura do garoto.
A confissão de Mayumi Heene foi feita no dia 17 de outubro, dois dias depois que o balão foi lançado. Inicialmente, a família Heene disse às autoridades que acreditavam que a criança estava dentro de um balão que tinha voado. Quando o balão chegou à terra sem o menino, eles expressaram preocupação de que a criança tivesse caído do objeto.
O casal elaborou o plano duas semanas antes do incidente, e “instruiu as três crianças a mentir para autoridades e imprensa sobre a fraude”, informou um documento. Os advogados do casal foram procurados, mas não foram localizados.
Um suposto sócio de Richard Heene pode ter ajudado a família na elaboração da farsa. A polícia disse ter encontrado e-mails trocados há alguns meses por Heene e um homem identificado como Robert Thomas, nos quais eles discutiam a organização de uma armação similar como parte de uma campanha de relações públicas para promover um reality show.
Apolícia ainda confirmou que o episódio foi um golpe publicitário armado pelos pais. Alderden disse ainda que o casal não está detido, e que espera acusá-los por conspiração, contribuição para a delinquência de menor, falso testemunho a autoridades e tentativa de influenciar funcionários públicos. Crimes federais também podem ter sido cometidos.
De acordo com a polícia, os Heenes podem ser condenados a até seis anos de prisão e multa de US$ 500 mil [cerca de R$ 850 mil]. O xerife disse ainda que tentará fazer com que eles paguem pelos prejuízos causados pela fraude, cuja estimativa ainda não foi levantada.
A atenção mundial se voltou para os Hennes no último dia 15, quando foi divulgada a suspeita que Falcon estivesse a 2.000 metros de altura em um balão caseiro que o pai mantinha nos fundos de casa.
O balão foi perseguido ao longo de 100 quilômetros no norte do Colorado, sendo acompanhado ao vivo por inúmeras emissoras de TV.
Cerca de cinco horas depois, Falcon apareceu são e salvo no sótão da garagem de sua casa, onde, segundo a família, esteve o tempo todo. Segundo a versão da família, ele tinha desaparecido depois de levar uma bronca de seu pai.
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Suspeitas
Washington - Quando soltaram o balão, o filho mais velho de Richard Heene, Bradford, afirmou que Falcon estava lá dentro.
A busca pelo menino mobilizou os serviços de emergência e as autoridades de aviação, chegando a interromper as operações no aeroporto de Denver.
As primeiras suspeitas de farsa surgiram depois que, durante uma entrevista da família Heene a um canal de TV, Falcon foi questionado por seu pai por que não respondia quando era chamado e respondeu: “Você disse que fizemos isso para um programa”.
De acordo com o xerife, os três filhos do casal sabiam da armação, mas não devem ser indiciados por causa da idade. O filho mais velho tem dez anos. Os pais, por sua vez, podem ser presos e pagar multa pelo ato.