Se tranqüilidade é a palavra de ordem para os síndicos de prédios comerciais, o mesmo definitivamente não se aplica aos administradores de condomínios residenciais. Todo dia e a qualquer hora é possível encontrar o síndico e despejar sobre ele um balde de reclamações. “O vizinho está fazendo muito barulho”, “pararam o carro na minha vaga”, “o cachorro de fulana não para de latir” e suas variáveis são, sem dúvidas, as queixas mais freqüentes.
Iracema Almas, 45 anos, é síndica do Camélias, o maior condomínio residencial de Bauru. Ela cuida de 720 apartamentos, que somam cerca de 2.700 moradores, e conta que atende moradores das 7h da manhã às 23h da noite. Quando o caso é grave, é chamada até de madrugada. E ainda assim não consegue agradar todo mundo.
“Gente reclamando é o que não falta e os motivos são os mais variados possíveis. Já teve muitos casos em que eu pedi para podar algumas árvores e choveu reclamações porque cortaram demais. É assim: se não faz a poda, as pessoas reclamam, se faz, reclamam também”, afirma ela, que se diz acostumada à rotina.
Denise Gato, presidenta do Residencial Tívoli, concorda com Iracema. “A maior dificuldade de um administrador é lidar com o material humano. Esse negócio de direitos e deveres é muito complicado. As pessoas acabam cobrando demais e se esquecem que também precisam colaborar e aprender a relevar certos casos”, ressalta. Mesmo com todas as dificuldades, ela diz não se importar com o que dizem ser os ‘ossos do ofício’. “É preciso estar sempre solícita, é minha função.”
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Na televisão
Os problemas que rondam um condomínio e o “dever” que o síndico tem de resolvê-los viraram tema de um quadro comandado pelo consultor Max Gehringer, aos domingos à noite, no “Fantástico”.
O quadro “Reunião de condomínio” propõe mostrar ao público a convivência, nem sempre pacífica, entre os moradores de um prédio localizado na zona norte de São Paulo, que tem 248 apartamentos e onde vivem cerca de 1.000 pessoas.
As reclamações apresentadas pelos condôminos são muitas, dentre elas o som alto, a bagunça das crianças, a falta de senso de quem tem animais de estimação no apartamento e até mesmo moradores anti-sociais que não respeitam os limites ou simplesmente reclamam de tudo o tempo todo.
Para a primeira semana, Gehringer propôs uma inversão de papéis a quatro moradores. Eles ficaram do lado oposto do problema, recebendo as reclamações na função de síndicos.
Durante seis semanas, Gehringer vai participar das reuniões de condomínio e, para auxiliá-lo nesta tarefa, ele contará com a experiência do advogado e presidente da Associação dos Síndicos do Estado de São Paulo, Marcio Rachkorsky. Depois de debater sobre barulho na semana passada, hoje à noite é a vez de abordar o tema crianças.