09 de julho de 2026
Internacional

Irmã de Fidel diz que colaborou com a CIA e teve ajuda de uma brasileira

Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Miami - Juanita Castro, uma das irmãs mais novas de Fidel Castro, revelou em livro lançado ontem nos EUA que colaborou com a CIA nos anos 60 e que foi apresentada a um dos agentes por meio de Virgínia Leitão da Cunha, mulher do embaixador do Brasil em Cuba na época, Vasco Leitão da Cunha. No livro de memórias “Fidel e Raúl, meus irmãos - a história secreta’’, Juanita diz que se sentiu traída pelo irmão.

Ela apoiou a revolução no começo, mas afirma que depois se desiludiu com as atitudes tomadas pelo irmão no poder. “Tive remorsos por trair Fidel ao aceitar reunir-me com o inimigo? Não, por uma simples razão: eu não o traí. Ele me traiu. Ele traiu os milhares que sofremos e lutamos pela revolução.’’

Juanita conheceu Virgínia em 1958, quando ficou durante três meses na Embaixada do Brasil em Cuba como asilada política durante o governo de Fulgencio Batista. Na época, ela colaborava com o Movimento Revolucionário 26 de Julho. No período, elas se tornaram amigas, e Juanita só saiu de lá em janeiro de 1959, pouco depois de Batista deixar o país. A embaixada abrigou também outros ativistas que atuavam contra a ditadura de Batista.Logo após a invasão da baía dos Porcos, em 1961, o relacionamento entre Juanita e Fidel começou a piorar sensivelmente.

Virgínia chamou então Juanita para uma visita e avisou que o presidente João Goulart tinha dado ao marido a tarefa de se tornar embaixador na antiga União Soviética.

Juanita começou a enviar informações para agentes da CIA no país por meio de um rádio de ondas curtas.

Juanita deixou Cuba em 1964, após alerta de Raúl que suas atividades haviam sido descobertas. E foi para Miami.