Menos de dois anos. Esse é o prazo aproximado para o ressurgimento da vida nas águas turvas e atualmente carregadas de poluição do rio Bauru. Ao menos esse é o objetivo de uma obra, anunciada ontem pela prefeitura, que pretende canalizar o esgoto atualmente despejado no leito, desviando os dejetos para onde será implantada a futura estação de tratamento “Vargem Limpa”.
Estimada em R$ 19,5 milhões, a melhoria, cujo edital de processo licitatório é publicado hoje, consiste na implantação de interceptores - tubos de concreto com até dois metros de diâmetro - no trecho compreendido entre a altura da quadra 18 da avenida Nuno de Assis, cortada ao meio pelas águas poluídas, e o Distrito Industrial 1 (região que abrigará a futura estação).
O prazo estimado para a conclusão da obra, de acordo com a prefeitura, é de um ano. Ao todo, serão implantados 8 mil metros de tubulação coletora nas duas margens do rio Bauru.
Custeada pelo Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE), valor cobrado desde 2006 junto aos consumidores de água (40% da tarifa), a obra será terceirizada, de acordo com o prefeito Rodrigo Agostinho, em decorrência da necessidade de maquinário pesado que o Departamento de Água e Esgoto (DAE) não possui.
“É uma obra muito grande, com tubos de até dois metros de diâmetro que serão colocados ao longo do rio Bauru, tirando todo o esgoto e levando até a futura estação de tratamento. É um trabalho muito pesado e o DAE não dispõe de guindastes e maquinário para esse tipo de obra”, justificou o prefeito, durante entrevista coletiva concedida ontem pela manhã, no Palácio das Cerejeiras. “A obra é especial, porque tiraremos o esgoto de dentro do rio Bauru e o levaremos para bem adiante, aguardando a conclusão da estação de tratamento”, acentua. “A obra é diferenciada, em primeiro lugar, pela grandiosidade e, em segundo, pela despoluição do rio”, anunciou, na mesma ocasião, o presidente do DAE, Rafael de Almeida Ribeiro.
O prazo estimado de limpeza do leito até o início de 2011, conforme o Executivo, segue cronograma apresentado pela administração municipal e DAE junto ao Ministério Público do Meio Ambiente.
Orçamento
O prefeito disse esperar pela redução no orçamento da obra, o que dependerá do processo licitarório, frisa Agostinho. “Fizemos um levantamento entre as empresas e chegamos a esse valor aproximado (R$ 19,5 milhões). Temos a expectativa de fazer num valor menor, até para que sobrem recursos do Fundo de Tratamento de Esgoto”, almeja.
Segundo o prefeito, quanto menor for o custo desta obra, mais recursos do FTE poderão ser destinados à construção da estação de tratamento principal. Orçada na casa dos R$ 100 milhões, a almejada melhoria, conforme Agostinho, ainda tem a forma de custeio em discussão. “Estamos montando modelos financeiros para discutir com a Câmara a melhor opção para fazer a grande estação de tratamento de esgoto, detalha Agostinho.
Entre as opções de custeio para a futura obra estaria o encampamento da melhoria por parte da Sabesp, parceria com a iniciativa privada – pelo processo de locação de ativos – ou aguardar a geração do montante através do FTE, o que levaria, estima Rodrigo, cerca de dez anos.
Atualmente, enumera o chefe do Executivo, o fundo dispõe de R$ 27 milhões. “O dinheiro tem sido aplicado nas obras em andamento. Concluímos os interceptores no córrego Palmital, fizemos os do córrego da Grama e agora os do córrego Água da Ressaca”, especifica.
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Trânsito
A grandiosidade da obra gerará transtornos temporários inevitáveis, entre eles a complicação do trânsito na avenida Nuno de Assis, um dos principais corredores de tráfego da cidade. “É bem provável que nós tenhamos na Nuno de Assis, nas proximidades do viaduto com a Marechal Rondon”, prevê o prefeito Rodrigo Agostinho.
Nesse trecho, a perfuração para instalação dos dutos será feita no método “não destrutivo”, mediante escavação subterrânea. “Isso encarece muito a obra, mas é a única forma de fazer a transposição do viaduto sem trazer maiores complicações para o nosso trânsito”, argumenta.