09 de julho de 2026
Nacional

DEM escolhe ruralistas para CPI do MST

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O DEM escolheu ontem parlamentares ligados ao setor rural para integrar a CPI do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Congresso, criada para investigar supostos repasses do governo federal ao movimento. Os deputados Abelardo Lupion (DEM-PR) e Onyx Lorenzoni (DEM-RS) foram indicados para titulares da CPI, enquanto Jorginho Maluly (DEM-SP) e Vic Pires (DEM-PA) para a suplência.

Idealizadora da CPI, a bancada ruralista acusa o governo federal de repassar recursos para o MST por intermédio de entidades “laranjas” que estariam cadastradas no Ministério do Desenvolvimento Agrário.

O governo nega qualquer repasse ao MST, mas reconhece que a CPI vai se transformar em um palco de disputa entre os grandes produtores rurais e o movimento dos sem terra - motivo que levou a oposição a escolher ruralistas para a comissão.

A idéia dos oposicionistas é polarizar os debates entre simpatizantes do MST e os defensores do agronegócio, deixando de lado o tradicional embate entre os partidos alinhados com o Palácio do Planalto e a oposição. No Senado, a oposição ainda não fez as indicações para a CPI, mas a expectativa é que o DEM também priorize parlamentares ligados ao setor agrícola.

Lideres do DEM avaliam que desta forma têm mais chances de emplacar a investigação contra o MST e conseguir avançar em questões delicadas. “O que nós observamos é essa tendência entre quem defende o MST e quem defende uma avaliação isenta”, disse Onyx.

Com a movimentação oposicionista, os líderes governistas já começaram a ensaiar um acordo. PT e PMDB pretendem dividir o comando da CPI. A relatoria - que é o cargo mais cobiçado porque conduz o ritmo das investigações e pode evitar desgastes - ficaria com os petistas, enquanto a presidência seria entregue ao PMDB.

Apesar de a oposição trabalhar para ganhar um dos cargos de comando da CPI, os governistas não estão dispostos a ceder espaço. “No que depender de mim, eles terão no máximo uma vice-presidência, mas isso ainda está sendo conversado”, disse o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP).

Os governistas ainda estão divididos entre instalar logo a CPI para que ela termine antes do início da campanha ou postergar a escolha dos integrantes para que, em meio ao período eleitoral, a comissão fique esvaziada.

Os partidos da base aliada vão indicar 23 dos 36 integrantes da CPI. O regimento do Congresso prevê a divisão das cadeiras na comissão de acordo com os tamanhos das bancadas no Legislativo.