08 de julho de 2026
Regional

MST prepara protesto em Borebi

Por Lilian Grasiela | Com Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Borebi - Integrantes e simpatizantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) marcaram para hoje, a partir das 10h, no município de Borebi (45 quilômetros de Bauru), um ato em defesa da Reforma Agrária, do MST, contra a grilagem de terras públicas e a criminalização dos movimentos sociais. De acordo com o MST, o movimento é pacífico e não estão previstas ocupações.

O grupo vai se reunir na Escola Popular Rosa de Luxemburgo (sede da antiga Fazenda Agrocentro), de onde sairá para o ato na área social do assentamento Zumbi dos Palmares, às 14h. O local fica próximo à fazenda Santo Henrique, utilizada pela empresa Sucocítrico Cutrale Ltda para o plantio de laranjas, que foi ocupada no dia 28 de setembro pelo MST, na divisa com Iaras.

Na ocasião, integrantes do movimento foram acusados pelos donos da propriedade de arrancar pés de laranja, depredar instalações da fazenda e furtar equipamentos, defensivos e objetos dos colonos, que foram expulsos do local na data da invasão. A ação do grupo é investigada em inquérito instaurado pelo delegado de Borebi, Jader Biazon, para apurar supostos crimes de formação de bando ou quadrilha, esbulho possessório, furto e dano. Os sem terra negam as depredações.

O MST alega que a Cutrale ocupou irregularmente a área de 2,7 mil hectares, onde hoje está a Fazenda Santo Henrique, e que a plantação de laranja foi feita em cima de uma área do Governo Federal. O Incra também defende que as terras ocupadas pelo grupo são destinadas à reforma agrária. A Cutrale alega que tem como comprovar a posse da área.

Segundo o MST, as diferentes reações, “manobras político-midiáticas” e a articulação da bancada ruralista para criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com objetivo de criminalizar o MST, desencadeados a partir da ocupação da Fazenda Capim, explorada ilegalmente pela empresa Cutrale, gerou a série de questionamentos e dúvidas em relação à reforma agrária e ao MST.

“Embora tenhamos nos posicionado publicamente por meio de notas e declarações, decidimos construir na região de Iaras uma atividade com amigos, apoiadores da nossa Luta, com o objetivo de denunciar a utilização de terras públicas por diversas empresas privadas, como a Cutrale (laranja), Lwart, Eucatex, entre outras”, declara.

Paulo Beraldo, um dos integrantes do MST, que participou da ocupação da fazenda Santo Henrique, disse que o ato irá contar com a presença de diversos aliados do grupo. Contudo, ele não soube precisar quantas pessoas acompanharão o encontro. “A gente vai estar debatendo o assunto no caráter de denúncia das terras públicas”, diz.

O MST está presente na região desde de 1995. Hoje, 350 famílias estão assentadas. No entanto, outras 450 famílias permanecem acampadas exigindo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Governo Federal a retomada das terras públicas ocupadas pelas empresas para que elas sejam destinadas à reforma agrária.