Enquanto corintianos e palmeirenses procuram entender o empate ocorrido em Presidente Prudente, o filme “This is it”, que conta os últimos dias de ensaios de Michael Jackson, atinge a receita de US$ 100 milhões em apenas uma semana de exibição e os americanos comemoram a volta do aquecimento de sua economia. No universo político não se fala e pensa em outra coisa a não ser as eleições do próximo ano. A disputa para governadores, deputados e senadores tem relevância, mas é a disputa presidencial que mais atrai a atenção e preocupação dos políticos, seus líderes e partidos. Já são cogitados vários candidatos na disputa da vaga a ser deixada por Luiz Inácio Lula da Silva, mas os prováveis candidatos que mais se evidenciam são José Serra (PSDB) e Dilma Roussef (PT). Não se pode tirar qualquer conclusão dos números apresentados pelos institutos de pesquisa que apontam Serra com 38% das intenções de votos e Dilma com 18%. Esses são apenas os percentuais de momentos da largada das campanhas.
Vários analistas comprovam que os últimos presidentes, que tinham percentuais à frente dos oponentes, em pesquisas divulgadas um ano antes dos pleitos, vieram a ser os eleitos. Por esse raciocínio, chegaríamos a José Serra. Porém, há ingredientes novos, na presente disputa, que nos deixam em dúvida. Aliás, o que está em jogo não são os próximos quatro anos com novo governo federal brasileiro, mas sim a sequência dos 20 anos pretendidos pelo PT para promover uma reforma política e social absoluta na América Hispânica, proposta que o presidente Lula vem defendendo com perfeito desempenho. Há quem o classifique como Fidel Castro do mundo moderno.
A gana do PT é tamanha que já se apressaram seus líderes a contratar o marqueteiro americano Ben Self, que foi responsável pela campanha presidencial de Barack Obama na internet e outros meios modernos de comunicação. Embora negando a informação, várias ações sinalizam por essa conclusão. Pelo lado de José Serra, não é segredo de ninguém que seu sonho é ter Aécio Neves como vice (e isso agregaria muita votação). Aécio alega que seu Estado, Minas Gerais, já ofereceu vários vices (José Alencar e Itamar Franco, recentemente), e que sua pretensão é mesmo uma vaga no Senado Federal. Mas aí deve ser levado em conta o interesse do partido e, por esse prisma, a dobradinha será formada, fatalmente. O PMDB, maior partido brasileiro em número de ocupantes de vagas nas assembléias legislativas, governos, Câmara Federal e Senado, ainda não se declarou, mas a aproximação com o PT é acentuada e a parceria é quase evidente (isso conta muito), tendo em vista as máquinas administrativas que são significativas em eleições.Para deixar o cenário mais duvidoso, vai aí uma informação prestada por um técnico do Instituto de Pesquisa CNT/Sensus: a última pesquisa mostra um grande número de eleitores indecisos —que somam 58,2% na espontânea. “As pessoas começam a raciocinar mais sobre os seus candidatos, e menos nos partidos que representam”. Façam suas apostas.
O autor, Renato Cardoso, é publicitário em Bauru)