Tegucigalpa - O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, está disposto a renunciar ao Poder Executivo para o estabelecimento de um governo de “unidade e reconciliação” ainda hoje, como prevê o cronograma do acordo assinado com o presidente deposto, Manuel Zelaya, na semana passada.
“O senhor Micheletti deixou claro que estaria disposto a deixar o poder”, disse, em entrevista coletiva, a secretária de Trabalho dos EUA, Hilda Solis, integrante internacional da Comissão de Verificação para implementar acordo, junto com o ex-presidente chileno Ricardo Lagos.
Lagos e Solis se reuniram ontem com Micheletti, com a mesa diretora do Congresso e com o Tribunal Supremo Eleitoral para negociar um acordo que viabilize, hoje, a conformação de um governo de unidade provisório, até que o Congresso decida se Zelaya será ou não restituído à Presidência.
Em entrevista, o representante de Zelaya na Comissão de Verificação, Jorge Arturo Reina, disse que a “idéia fundamental” é a criação de um primeiro governo de unidade sem a presença de Zelaya ou Micheletti. Zelaya admitiu não participar inicialmente do governo de unidade, desde que a instalação desse governo esteja condicionada à sua futura restituição.
Zelaya ofendido
O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, pretende liderar o governo de união nacional estabelecido pelo Acordo de San José para resolver a crise política causada pela deposição do presidente Manuel Zelaya, em 28 de junho passado.
“A titularidade do Executivo seguiria como está, seguiria sendo do presidente Micheletti, até que se decida o ponto 5”, disse Morales, referindo-se ao item do acordo que define que caberá ao Congresso definir se Zelaya será restituído à Presidência.
Micheletti enviou mais cedo uma carta a Zelaya por meio do ministro da Presidência, Rafael Pineda Ponce, na qual pede “sem demora uma lista de dez cidadãos com requisitos estabelecidos na Constituição da República, para dentro deles fazer a escolha dos servidores públicos que, a partir de 6 de novembro, integrarão o governo de unidade e reconciliação nacional”.
Zelaya qualificou na noite de anteonte de “ofensa e agressão” a proposta de formar um governo sem antes definir sua restituição ao poder - caráter considerado central nas negociações. Zelaya disse que o acordo não estabelecia esse mecanismo, já que o governo de unidade nacional deveria ter um presidente legítimo.
Explicações aos EUA
O presidente deposto de Honduras Manuel Zelaya pediu ontem que Washington defina se apoia sua volta ao poder ou se está com o governo de facto que o derrubou, um dia depois de o Congresso adiar uma sessão-chave que decidiria seu futuro.
Na semana passada, e sob mediação dos EUA, Zelaya firmou um acordo com o governo de facto que o tirou do poder no final de junho para por fim à pior crise política no país em várias décadas.
Mas Zelaya, em uma carta aberta à secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, acusou Washington de desrespeitar o acordo ao “reconhecer as eleições sem reverter o golpe de Estado nem resolver a profunda crise que atinge nosso país”.
Na carta, lida por seu assessor Rasel Tomé na embaixada do Brasil onde Zelaya está refugiado, o presidente deposto pede que Hillary “esclareça ao povo hondurenho se a posição de seu país foi modificada ou se mudou sobre a condenação ao golpe de Estado em Honduras”.
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Demora em decisão preocupa Brasil
Brasília - O Brasil e outros quatro países membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) manifestaram preocupação, ontem, com a demora do Congresso hondurenho em discutir a restituição do presidente deposto, Manuel Zelaya. O representante brasileiro na OEA, Ruy Casaes, disse que o governo do Brasil não aceitará o resultado das eleições de 29 de novembro se Zelaya não for restituído ao poder.
Na reunião da OEA de ontem, Equador, Nicarágua e Venezuela criticaram as celebrações ocorridas após o anúncio do acordo da semana passada. EUA, Brasil e outros países chegaram a parabenizar ambas as partes pela resolução da crise.