08 de julho de 2026
Nacional

Aprovado maior rigor na progressão

Folhapress
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Brasília - Os criminosos vão ter mais dificuldade para ganhar o direito de cumprir pena fora da prisão, de acordo com um projeto aprovado ontem no Senado. A proposta aumenta o rigor para os presos com bom comportamento mudarem do regime fechado para o aberto - a chamada progressão de pena.

Atualmente, presos por crimes comuns podem pleitear o direito de mudar de regime caso cumpram um sexto da pena. O projeto de lei aprovado ontem na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado prevê o aumento desse prazo para um terço.

A proposta também aumenta o rigor para presos por crimes hediondos (homicídio, latrocínio e estupro). Nesse caso, o Senado voltou a tornar obrigatório o exame criminológico, que avalia se o preso tem condições de voltar a viver em sociedade, para embasar a decisão do juiz. Ainda no caso de crime hediondo, governo e oposição fizeram acordo para aprovar a obrigatoriedade de monitoramento eletrônico, pelo uso de uma tornozeleira, dos presos que ganham o direito de cumprir pena no regime aberto.

O parecer do projeto foi elaborado pelo senador oposicionista Demóstenes Torres (DEM-GO), presidente da CCJ. Ontem só foi apreciado o texto-base da proposta, por conta de um acordo com o governo. Na semana que vem, a comissão analisará as partes que não têm consenso, que poderão alterar o texto aprovado ontem.

Uma delas trata do prazo para mudança de regime no caso dos crimes hediondos. Hoje, o condenado precisa cumprir dois quintos da pena para pedir a progressão. Pela proposta, terá de cumprir a metade.

Para os criminosos reincidentes, Demóstenes também aumenta o prazo de cumprimento da pena de dois quintos para dois terços. O senador incluiu ainda mudanças na liberdade condicional. Os presos só poderão ter direito a ela se cumprirem metade da pena (hoje é apenas um terço).

Nesses dois pontos também não há acordo. Por isso o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), anunciou ao final da votação que vai apresentar emendas para manter as regras atuais. O projeto ainda será analisado pela Câmara.

Ontem, a CCJ também aprovou proposta de emenda constitucional que cria o piso nacional dos policiais militares. Um lei complementar vai definir o valor. Pela proposta, verbas federais serão usadas para ajudar os Estados a pagarem o piso. A proposta ainda precisa passar por duas votações em plenário antes de ser enviada à Câmara.