07 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Respostas


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Vida e morte. A busca por respostas. Fontes em delírio tentam elucidar os mistérios. Doutrinas sugerem caminhos e acenam veredas da pós-morte. Centenas de dogmas se chocam.

Falsos profetas incapazes de amar o Sol ou namorar a Lua, a vender sem pejo a imagem de Deus, ferindo palavras dos espíritos iluminados.

Dentro de cada pessoa, espelho a refletir pensamentos e ações: a consciência que civiliza o livre arbítrio e inspira a sensatez. Descobrir-lo, ver-se e ponderar para o encontro do equilíbrio: quem sou o que sou e para o que estou? Atitudes e palavras transparentes? Sou o que sou por mérito ou ocupo espaço que não me pertence?

O homem olvida que a sua capacidade de planejar e realizar provém de Deus, que o dotou para distinguir as virtudes legadas para o exercício da retidão, e não à prática do oposto. O egoísmo causa discórdias, fanatismos e conflitos, e bloqueia a limpidez do rumo.

Enquanto as ciências atingem vértices da imaginação, a moral e o respeito se perdem nos abismos da corrupção e perversão. É sabido que o mal tem suas raízes na discriminação social e no volúvel uso da liberdade para as escolhas. A violência cresce desde os lares às escolas, ruas e lágrimas. Os vícios se multiplicam alterando personalidades, inclinando-as para ações de forma impiedosa. Frutas amargas da falta de assistência cultural aos carentes, vítimas perpétuas da incúria de governos velhacos a maquiar a triste realidade. A ânsia do poder de bandeiras políticas a iludir os desprovidos por meio de doações farisaicas. Bolsas, cestas e vales proporcionando-lhes sombra e água fresca e o pior, os desestimulando ao trabalho. A classe política, com raras exceções, mente e saqueia despudoradamente protegida pela impunidade.

A elite se trava na solução das questões, abrindo portas empíricas na eterna tentativa de justificar o injustificável. O extremismo impõe seus fundamentos. Religiões preocupadas em não ter reduzida a procissão dos seus seguidores, respondem iludindo santas ingenuidades.

“É pelo assumir de responsabilidade por um projeto específico que mostrarás a autenticidade da tua vida e do dom de ti aos outros”, escreveu o francês Reverendo Padre Lebret, -1897-1966 - fundador do movimento, Economia e Humanismo: “O maior rival do mundo não é a pobreza dos desafortunados, mas a inconsciência dos privilegiados”.

Respostas são vivas no espelho da consciência a projetar a virtude da solidariedade.

A vida e a livre opção convidam o homem a concentrar na moral os princípios da razão que envolve a filosofia aliada à virtude da ética até alcançar a excelência pela meditação, doação e comunhão de sentimentos.

Na sua fragilidade e cobiça, o homem se desvia do seu chão e as ignora, deliberadamente, curvando-se sob o peso do egoísmo.

Quem sou o que sou, e para o que estou?

Quem já se perguntou?

Lamentar os privilegiados que se fingem cegos e surdos, e se escondem como morcegos nas cavernas dos insensatos. Temem a luz do sol, vivem e não se sabem vivos.

Ao deixar de lado a dignidade da consciência, melhor permanecer na obscuridade da barbárie à espera do seu anoitecer.

Munir Zalaf - presidente da Academia Bauruense de Letras, poeta, escritor e palestrante voluntário