08 de julho de 2026
Internacional

Zelaya declara rompimento de acordo

Folhapress
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Tegucigalpa - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, rompeu na madrugada de ontem o acordo assinado há uma semana com o governo interino, de Roberto Micheletti, que pouco antes havia anunciado unilateralmente um “gabinete de unidade e reconciliação”.

Zelaya exigia que o Congresso aprovasse até ontem a sua restituição para que ele encabeçasse o governo de unidade. Micheletti e seus aliados, no entanto, protelaram a votação no Parlamento e afirmaram que a formação de um novo governo independe de volta de Zelaya.

O acordo assinado no último dia 30 previa a formação de um governo de unidade nacional até ontem. Previa também que o Congresso fizesse uma votação para decidir sobre a volta de Zelaya ao poder.

A noite de anteontem foi repleta de ansiedade e tensão em Honduras. Por volta das 23h50 locais (3h50 de hoje em Brasília), a dez minutos do fim do prazo de criação de um governo de unidade e sem acordo com Zelaya, Micheletti convocou uma cadeia de rádio e TV para informar que havia formado um novo gabinete “representativo de amplo espectro ideológico e político de nosso país, cumprindo estritamente pela letra do acordo”. O presidente interino disse ainda que esperaria a indicação de dez nomes de Zelaya para formar um novo governo.

“Que o senhor Micheletti pretenda, sem que ninguém o reconheça, legitimar ministros e presidir o governo de integração, é uma chacota. Esse acordo, assinado de boa fé, tem como espírito que o Congresso resolvesse a crise. A partir desse momento, o acordo não foi cumprido, e nós o declaramos fracassado”, reagiu Zelaya.

Zelaya reiterou que ele e seus aliados políticos “desconhecerão totalmente as eleições sob um regime de repressão”. Dois dos seis candidatos a presidente afirmam que só participam do pleito do dia 29 caso o presidente deposto tenha sido restituído. Vários outros candidatos a deputado e prefeito devem seguir a mesma decisão.

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OEA pede cumprimento de acordo

Tegucigalpa - O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, pediu ontem que as duas partes envolvidas na crise política de Honduras cumpram o acordo assinado há uma semana “sem subterfúgios”, de modo a solucionar o impasse. Negociado com mediação dos Estados Unidos, o acordo foi dado como “morto” pelo presidente deposto, Manuel Zelaya.

Para Insulza, “as medidas aprovadas no acordo são claras e foram assinadas pelas partes”. “Espero que, sem mais subterfúgios, elas sejam cumpridas para restabelecer a democracia, a legitimidade institucional e a convivência entre os hondurenhos”, disse em um comunicado.

No texto, o secretário afirmou também que a OEA continuará “realizando todos os esforços para levar em frente o diálogo” e pediu que Zelaya e Micheletti “cheguem a um acordo para a formação do governo de unidade e reconciliação nacional”.