08 de julho de 2026
Geral

Ex-alunos revivem formatura de 59

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

O passar dos anos trouxe, além das inevitáveis marcas do tempo, experiência e amadurecimento para cerca de 40 ex-alunos da terceira turma da Faculdade de Direito da Instituição Toledo de Ensino (ITE), formada em 1959. Ontem, demonstrando uma vitalidade e entusiasmo de dar inveja a muitos jovens, eles comemoraram, sob forte emoção, o Jubileu de Ouro da colação de grau da turma Clóvis Bevilácqua. Em sessão solene contou até mesmo com o uso da beca e entrega simbólica de certificado de participação.

Pela manhã, no Cemitério da Saudade, o grupo visitou as sepulturas do fundador da ITE, professor Antônio Eufrásio de Toledo, e do Comendador Daniel Pacífico, que doou o terreno para a construção dos prédios da instituição. Já na ITE, sob os acordes da música Emoções, de Roberto Carlos, os ex-alunos participaram da cerimônia de descerramento de placa comemorativa, plantio de muda de Jequitibá e homenagens a pessoas que fizeram parte da história da instituição.

A maioria dos ex-alunos mudou-se para outras cidades buscando concretizar seus sonhos acadêmicos. Uns investiram na advocacia, outros sonharam alto e, com muito estudo e dedicação, tornaram-se promotores, procuradores, juízes, delegados e, até mesmo, desembargadores. Contudo, o destino de cada um não impediu que a amizade do grupo se mantivesse viva durante todos esses anos.

Segundo o juiz de direito aposentado Elcio Miragaia de Souza Nogueira, que faz parte da comissão de festas da turma, pelo menos uma vez por mês, os amigos se reúnem para relembrar as histórias da faculdade e trocar experiências profissionais. “Essa reunião, atualmente, é feita em São Paulo. Quando é possível, quem está em São Paulo comparece. Têm reuniões onde vão quinze, vinte, dez, dependendo da disponibilidade”, diz.

Nogueira conta que mora em Bauru, mas faz questão de estar presente nos encontros para garantir que essa tradição seja mantida. Para ele, o evento de hoje é especial porque marca meio século de história. “Esse grupo é muito unido, que vem desde 1959”, explica. “A importância desse encontro é rememorar e manter o passado vivo porque sem história ninguém vive”, afirma.

O servidor do Tribunal Superior do Trabalho (TST) em Brasília, Oswaldo Dante Manicardi, revela que, antes de se formar na ITE, trabalhava em um cartório. Durante sua trajetória profissional, atuou como advogado na área civil e na Justiça do Trabalho. “Meu sonho sempre foi realizar alguma coisa dentro da atividade que eu escolhi, o direito”, relata. “Cheguei a ser advogado da Caixa Econômica Federal. Depois, me aposentei na Caixa e continuei trabalhando dentro da Justiça do Trabalho”.

O presidente da comissão de festas da turma, Célio de Melo Lemos, que atuou como advogado do Banespa durante 30 anos, reside atualmente em São Paulo. Ele lembra com saudade dos colegas de faculdade que já faleceram e destaca a importância profissional de cada um deles.

Paulo Afonso de Marno Leite, diretor da Faculdade de Direito da ITE, ressalta que as formações profissional e pessoal transmitidas pela instituição contribuem para a manutenção do forte vínculo entre os ex-acadêmicos. “Esse encontro dos formandos de cinqüenta anos da ITE significa para eles a memória que a ITE guardou dentro de cada um, a projeção social e profissional que eles tiveram e a lembrança gratificante, durante todo esse período não só acadêmico mas também após a colação de grau”, destaca.

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Igualdade social

Um dos formandos da terceira turma da Faculdade de Direito da ITE, Said Halah, morador de Ribeirão Preto, define-se como um advogado generalista. “Sou advogado de um tempo em que não havia especialização. Eu era como o médico de roça. Faço desde inventário até júri tributário”, diz. “Eu tenho uma única especialidade, que é a generalidade”.

Segundo o ex-acadêmico, o curso da ITE surgiu como uma possibilidade para os jovens que não dispunham de muitos recursos financeiros, num período em que só haviam três faculdades de direito no Estado. “Naquela época, em 1954, só existiam as faculdades de direito de São Francisco, da Universidade de São Paulo; a faculdade de direito Mackenzie; e a Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas. Eram instituições que demandavam para o estudante despesas extraordinárias”, lembra.

Halah conta que, logo no início da carreira, atuou como advogado trabalhista e fundou oito associações de trabalhadores rurais na região de Ribeirão Preto. “Eu tinha uma certa vinculação política de esquerda e via a possibilidade de, através do direito, contribuir para que houvesse um crescimento do reconhecimento dos direitos das pessoas mais pobres. Eu vi a oportunidade de dar curso a uma luta pela igualdade social, pelo menos da igualdade das oportunidades”, pontua.

Naquele período, ele conta que participou de várias greves contra os grandes empresários, que descontavam de cada um dos trabalhadores rurais, sobretudo de cortadores de cana, 33% do salário a título de habitação em troca de moradia em colônias existentes nas usinas. Além disso, na maioria das propriedades, os salários não eram pagos em dinheiro e sim em vales, trocados em estabelecimentos nos próprios locais. Fui preso em 64, 69, 70 e sou anistiado político agora”, diz.

Apesar das dificuldades na época e de receber hoje R$ 126,00 por mês referente à indenização paga pelo governo como forma de anistia pela sua prisão, Halah afirma que sua luta valeu a pena. “Eu tenho para mim que só a derrubada do desconto de habitação sobre o salário de todos os membros da família que trabalhavam na roça já foi uma vitória”, revela.