08 de julho de 2026
Geral

Roupas dão dicas da personalidade

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A roupa com que um candidato comparece a uma entrevista diz muito sobre sua personalidade. Na opinião do psicólogo Sandro Caramaschi, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, esse é um dos motivos que levam os recrutadores de mão-de-obra a ficar tão atentos quanto a aparência dos entrevistados.

De uma forma geral, segundo Caramaschi, o que se prioriza dentro de uma empresa é reduzir ao máximo o risco relacionado à atratividade das pessoas. Ele parte do pressuposto de que quanto mais um funcionário chama a atenção no ambiente de trabalho, mais ele atrapalha o desempenho próprio e dos colegas. Uma moça vestida de forma inconveniente e provocativa ao mesmo tempo, que tira a concentração da ala masculina dentro da empresa, provoca reações de reprovação na ala feminina. Esse é um exemplo de conflito gerado pela maneira de se vestir, que os empregadores buscam evitar.

“É por isso que normalmente, eles (recrutadores) pedem que as pessoas usem roupas mais sóbrias, evite o excesso de maquiagem, ou seja, eles querem alguém que seja atraente, que tenham um visual interessante, mas não excessivo”, observa o psicólogo.

Segundo ele, a idéia das empresas é tornar as pessoas meio que assexuadas. Caramaschi lembra que em alguns locais existem restrições explícitas às paqueras ou namoros entre colegas de trabalho. Acredita-se que isso ajuda a melhorar a dinâmica do serviço e diminui as conversas paralelas, em tese, improdutivas.

O professor comenta que embora dentro do mundo empresarial a questão da moda não seja tão flexível, também ocorrem pequenas alterações ao longo do tempo, mas sempre priorizando a discrição.

Quanto à preferência dos recrutadores por mulheres jovens de cabelos longos e as mais velhas de cabelos curtos, identificada pela pesquisa da Catho Online, Caramaschi diz que isso tem a ver com os papéis sociais que desempenhamos. De acordo com ele, a sociedade estabelece por meio de regras implícitas alguns princípios que norteiam a forma como as pessoas usualmente se comportam e, de certa forma, direcionam o que se espera que as pessoas façam.

“Provavelmente, essa característica aparece porque a maior parte das mulheres mais velhas tem cabelo curto. Então, passa a haver uma cobrança para que as mulheres mais velhas tenham cabelo curto”, analisa. “As pessoas passam a achar que isso é o natural. Portanto, é isso que é o adequado para aquela faixa etária. Na medida que as pessoas mais jovens gostam de usar cabelos mais longos, isso passa a ser o mais adequado”, afirma.

Segundo o psicólogo, isso serve como um indicador indireto para o recrutador de que a pessoa que está participando do processo de seleção está atenta às mensagens enviadas pela sociedade. Se o candidato vai vestido de uma maneira diferente do que se espera, seria uma indicação de que a pessoa está vivendo fora da época dela, de que não percebeu que o tempo passou e as coisas mudaram. “De certa forma, isso transmite um traço de personalidade da pessoa como rebeldia, desatenção, dificuldade de se ajustar às regras sociais”, diz Caramaschi. “Muitas vezes, não é nem a questão da roupa em si, mas de traçar um perfil da personalidade da pessoa por meio da roupa”, aponta.