09 de julho de 2026
Nacional

Tucanos rebatem críticas de Lula e Dilma

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), reagiu às críticas feitas na noite de anteontem ao partido pelo presidente Lula e pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, durante congresso do PC do B, em São Paulo. Na ocasião, Lula chegou a comparar os tucanos com Adolf Hitler, ao dizer que sentia “pena” ao ver que o partido planejava um programa de treinamento de cabos eleitorais no Nordeste do Brasil para as eleições de 2010.

“É um pouco o que o Hitler fazia, para que os alemães pegassem os judeus. Ou seja, vamos treinar gente para não permitir que eles sobrevivam”, afirmou Lula, que já estava reagindo ao artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, publicado no jornal “O Estado de S.Paulo” no último domingo, com críticas pesadas ao governo e a Lula, acusando o governo de ser intervencionista em excesso e de estar criando uma espécie de subperonismo no País.

Na troca de ataques, os tucanos consideraram que Lula exagerou ao fazer a comparação com Hitler. “Não gostamos de Hitler, nem de Chávez (o presidente da Venezuela, Hugo Chávez). Não discutimos ditadores. Se o presidente tiver curiosidade podemos mandar nossas apostilas para ele. Essas declarações não podem ser sinceras”, disse.

Guerra também rebateu a crítica feita por Dilma, que afirmou que chamou a oposição de “patética”. “Faltaram argumentos e idéias na cabeça da ministra na hora daquele discurso. É conversa de quem não sabe o que falar. É falta de experiência política”, disse Guerra.

“Midiática e partidária”

A ministra Dilma Rousseff Casa Civil saiu em defesa ontem do presidente Lula, atacando a imprensa e a oposição. Dilma afirmou que existe uma “oposição quase midiática” no País e acusou segmentos da imprensa de “partidarização”.

Na semana passada, o governo Lula foi alvo de críticas do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso. O cantor Caetano Veloso foi também a público dizer que Lula é “analfabeto e grosseiro”.

Ao falar a prefeitos e vice-prefeitos do PT hoje em São Paulo, a ministra afirmou que as alianças que o PT está construindo devem ser “uma das explicações para o crescente isolamento de setores políticos, basicamente a oposição, que se vê sem projeto, sem discurso e cada vez mais sem base social’’.

Dilma disse ainda que há a “substituição da oposição partidária pela oposição quase midiática”. Ela voltou a classificar a oposição de “patética”, como fez no dia anterior, além de chamar de “desconexa”, sofrendo de “excesso de vaidade” e afirmou, ao falar dos petistas, que “nós somos de fato os grandes democratas do Brasil”.

Numa crítica que poderia ser dirigida à fala de Caetano, Dilma afirmou ainda que há setores que ainda creem que o povo é “politicamente atrasado (e) precisa de formadores de opinião o orientando”.

“Bom Dilma”

A ministra, que não estava em agenda oficial, foi recebida por mais de 300 prefeitos e vice-prefeitos do PT, que se reuniram até ontem e Guarulhos. Além de gritos de “Urgente, Dilma presidente”, os palestrantes brincavam, ao começar a fala, dizendo “bom Dilma” - em vez de bom dia.

A ministra subiu o tom dos discursos dias depois de FHC atacar, em artigos para jornais, o “lulismo” que comandaria o grupo hoje no poder no País. Há duas semanas, também em São Paulo, Lula criticou a imprensa, afirmando que “o povo tem pensamento próprio” e “não precisa de intermediários”, em um evento com catadores de lixo.